Foguete Electron, da Rocket Lab. (Créditos da imagem: Rocket Lab).

Entre o público comum e cientistas, todos estão ansiosos para ver o que ocorrerá a partir daqui. Confirmaremos ou não a vida em Vênus? A detecção da fosfina é um forte indício da existência da vida. Embora o gás seja encontrado em Júpiter e Saturno, é necessária muita energia para produzir, e acredita-se que Vênus não possa produzir a fosfina por meios geológicos ou climáticos. No entanto, ainda não podemos confirmar.

A melhor e mais fácil forma de se confirmar a existência da vida por lá é enviando uma sonda espacial. No entanto, uma missão espacial demanda tempo, tanto para o planejamento, como para a fabricação e os testes – principalmente pelo fato de que o clima em Vênus é um pouco inóspito, e se a missão envolver a coleta de amostras, a sonda precisa estar preparada para sofrer. Mas a Rocket Lab, uma empresa do ramo espacial, pode estar a um passo à frente de todos.

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O ano de 2023 está perto. Já estamos quase chegando ao final de 2020. E em 2023 a Rocket Lab já será capaz de enviar a sonda para Vênus, conforme eles prometem. Enquanto todos focavam em Marte, com destaque para a SpaceX, fundada para seguir o sonho de Elon Musk, além da NASA e outras agências espaciais pelo planeta, a empresa neozelandesa Rocket Lab dava uma chance para Vênus.

Planejamento anterior para encontrar vida em Vênus

A Rocket Lab é um tanto autossuficiente. Possui seus projetos de sonda, e possui um foguete para lançá-los. Ela ganha dinheiro, assim como a SpaceX, principalmente com contratos de lançamentos de satélites para empresas e governos. Seu carro-chefe é o foguete Electron.  Embora seja muito menor do que os concorrentes, como o Falcon 9, o  Electron é o suficiente para lançar uma pequena sonda para Vênus. 

Lançamento de um Electron. (Créditos da imagem: Rocket Lab).

A pequena sonda na qual eles trabalham, chama-se Photon. Trata-se de um satélite extremamente versátil. Ele é um modelo comercial que pode ser equipado com instrumentos para exercer diversas funções diferentes, seja na Terra, na Lua, ou em qualquer outro planeta, seja a missão científica ou comercial. Basta adaptá-lo às suas necessidades.

Desde de 2019, portanto, a empresa já cogitava enviar uma versão do Photon para Vênus. “Esta missão é ir e ver se podemos encontrar vida”, disse Peter Beck, fundador da Rocket Lab, ao The New York Times. “Obviamente, a descoberta da fosfina realmente acrescenta força a essa possibilidade. Então, acho que precisamos dar uma olhada por lá”.

Tudo já saiu do papel. Já lançaram o Electron mais de uma dúzia de vezes de forma comercial, com satélites de empresas, da NASA e de militares. Além disso, já há outros contratos para lançamentos futuros. O Photon, por sua vez, que poderia levar até 40 kg em instrumentos científicos para Vênus, teve seu primeiro teste na órbita da Terra este mês. Tudo conspira a favor da empresa. O satélite estava equipado com uma câmera, veja: 

Missão kamikaze

A ideia da Rocket Lab é fazer uma missão autoral. Eles mesmos querem projetar toda a missão. Até o momento, a ideia é matar uma pequena sonda que pegará carona com o Photon. Sua carga útil para missões interplanetárias é de 40 kg, correto? Portanto, a empresa quer construir uma segunda sonda, com esse peso, equipada com os instrumentos científicos.

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Ao se aproximar de Vênus, a Photon não entraria em órbita. Quem se aproximará é a pequena sonda, que fará observações a partir do alto, e depois entrará na atmosfera venusiana. Na atmosfera, ela pode fazer análises e leituras da atmosfera da forma mais rápida possível. E isso precisa ser rápido o bastante para ser finalizado antes que ela seja destruída.

Protótipo de um Photon. (Créditos da imagem: Rocket Lab).

Vênus é extremamente quente, e isso já dificulta a sobrevivência de equipamentos eletrônicos lá dentro. Além disso, no entanto, eles não planejam equipar um paraquedas na sonda. Então, ela deve entrar em altíssima velocidade, o que irá a corroer pelo atrito com a densa atmosfera do planeta. Mas tudo é válido para encontrar de fato a vida em Vênus, inclusive matar um inocente robô.

No entanto, pelas limitações de peso, a missão será bastante modesta. A Rocket Lab trabalha com cientistas para entender o que eles podem equipar na sonda para a maior produtividade possível. Em breve, agências com orçamentos enormes, como a NASA, lançarão missões maiores e mais completas, que podem captar muito mais detalhes. Entretanto, isso deve demorar, e a maior virtude da Rocket Lab será o pioneirismo e a velocidade em nos trazer os primeiros resultados.

Com informações de The New York Times e Space.com.