Urano é um dos planetas mais distantes do nosso Sistema Solar — e um dos mais perigosos para as luas em órbita. (Créditos da imagem: Lawrence Sromovsky/Universidade do Wisconsin-Madison/Keck Observatory).

Descoberto em 1781, Urano é um gigante gelado que orbita o Sol uma vez a cada 84 anos terrestres. Esse mundo misterioso, que aparece como um pequeno ponto na maioria dos telescópios amadores, não possui apenas um sistema de anéis finos e fracos, mas também 27 luas. No entanto, pelo menos uma dessas coisas está destinada a mudar: novas pesquisas indicam duas prováveis colisões ​​entre quatro luas do planeta daqui a alguns milhões de anos.

Robert Chancia, da Universidade de Idaho, e seus colegas se propuseram a entender melhor o anel Eta (η) de Urano. Eles descobriram que a forma do anel não é perfeitamente circular, mas triangular — e a causa da distorção é a pequena lua Créssida, que localiza-se a apenas 82 quilômetros de distância. Com base no tamanho e forma da distorção, a equipe foi capaz de medir com precisão a massa e a densidade de Créssida; eles usaram esses dados para determinar que as interações gravitacionais entre Créssida e outras luas próximas significarão uma colisão iminente entre Créssida e outra lua, provavelmente a Desdémona. O estudo foi aceito para publicação no Astronomical Journal.

A colisão entre Créssida e Desdémona, que orbitam a uma distância de apenas 900 quilômetros uma da outra, ocorrerá provavelmente nos próximos milhões de anos. Elas não são as únicas duas luas destinadas à desgraça: em 2012, os pesquisadores do Instituto SETI, Robert French e Mark Showalter, determinaram que as luas Cupido e Belinda provavelmente colidirão entre 1 e 10 milhões de anos.

Essas colisões futuras parecem ainda mais prováveis ​​quando vistas à luz de dois anéis difusos ao redor do planeta que provavelmente se formaram a partir dos restos de colisões entre luas anteriores.

O Telescópio Espacial Hubble observou oito luas de Urano enquanto rastreava nuvens na atmosfera do planeta. Créssida e Desdémona estão prestes a colidir em cerca de um milhão de anos. (Créditos da imagem: NASA/JPL/STScI).

Determinar o destino de Créssida não era o objetivo original do estudo. A equipe inicialmente se propôs a encontrar a causa da distorção do anel Eta (η), que orbita o planeta muito mais rápido do que as partículas individuais nos anéis. A velocidade da distorção que eles encontraram correspondeu à velocidade orbital de Créssida, unindo os dois como causa e efeito.

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Como resultado, Chancia e seus colegas fizeram a primeira medida de massa da lua, descobrindo que Créssida é cerca de 1/300.000 da massa da lua da Terra e tem uma densidade de 86% da água. Isso faz Créssida mais densa que muitas das pequenas luas de Saturno, indicando que provavelmente contém uma quantidade de rocha, bem como o gelo d’água.

Apesar de várias luas do planeta estarem em algum momento colidindo, as colisões iminentes podem não destruir completamente as luas envolvidas. Se isso acontecer, Urano poderia ganhar “novas” luas que os futuros astrônomos chamarão de Cupbel e Cresdemona.

Adaptado de Alison Klesman para a Astronomy.

Referência:

  1. CHANCIA, Robert O. “Weighing Uranus’ moon Cressida with the η ring”; Cornell University Library, 2017. Acesso em: 26 set. 2017.
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 17 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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