(Créditos da imagem: Pixabay).

“Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las” — esta frase, erroneamente atribuída a Voltaire, filósofo francês, é na verdade da escritora inglesa Evelyn Beatrice Hall.

Origens à parte, a frase ilustra o pensamento do filósofo iluminista o qual é atribuído à frase. O pensamento iluminista exerce grande influência na nossa sociedade atual.

No mundo democrático possuímos o direito à liberdade de expressão, que é inclusive protegido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU. No entanto, com declarações controversas, uma pessoa pode correr diversos riscos.

Publicidade

Pensando nisso, um grupo de cientistas, de diversos locais do mundo, está arquitetando uma revista científica onde os autores podem utilizar pseudônimos para publicar artigos que os possam colocar em risco.

O Journal of Controversial Ideas, como foi chamado, será lançado no início de 2019.

Publicidade

Cientistas, recuados com as reações de parte da população quanto a assuntos polêmicos, sentem-se desencorajados. Isso pode agora mudar com o periódico.

“O periódico permitiria que as pessoas cujas ideias pudessem trazer problemas, seja com a esquerda ou com a direita ou com a própria administração da universidade, publicar sob um pseudônimo”, disse Jeff McMahan, professor de filosofia moral na Universidade de Oxford.

Vale ressaltar que não trata-se de um meio para se publicar discursos de ódio, artigos que desrespeitam os direitos humanos ou que ataquem etnias, religiões ou ideologias.

McMahan garante que todas as publicações passarão por uma revisão por pares, utilizada em outras revistas respeitadas. Anonimato não é sinônimo de perda de qualidade.

Os acadêmicos esperam um dia não precisarem de um meio assim para publicarem. Enquanto tal coisa não acontece, meios devem ser criados.

Publicidade

Referência:

  1. ROSENBAUM, Martin. “Pseudonyms to protect authors of controversial articles”; BBC. Acesso em: 14 nov. 2018.
Compartilhe:
Avatar
Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pelo jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

Deixe seu comentário!

Por favor, digite o seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui.