(Créditos da imagem: Reprodução).

O movimento antivacina tem crescido no mundo, e nos Estados Unidos ele é bem mais pronunciado do que no Brasil. As vacinas possuem sim riscos de reações adversas, mas os seus benefícios suplantam em muitos os riscos. Boa parte do movimento antivacina é baseada em histórias mal contadas e teorias da conspiração, e essa em particular teve início em 1998.

Talvez você já tenha ouvido falar da relação entre vacinação e autismo. Este assunto ganhou muita força nos EUA, mas também chegou no Brasil. Em 1998, foi publicado um estudo onde se relacionava a vacina tríplice (sarampo, caxumba e rubéola) com casos de autismo em crianças1. O estudo se baseou essencialmente em relatos de pais, que mencionaram que os sintomas apareceram após a vacinação. O autor embora não afirmasse categoricamente que a vacina era a causa do autismo, deixou claramente no ar que esta era uma possibilidade, embora o estudo tivesse falhas claras na metodologia, como a falta de grupos de controles. Vários estudos vieram em seguida, já que o estudo original foi uma verdadeira bomba na área, com muitos pais deixando de vacinar seus filhos com medo da relação com o autismo. Os estudos posteriores, alguns deles analisando vários milhares de casos, nunca encontraram nenhuma correlação2-7. Logo, surgiram as desconfianças em relação ao estudo original.

Em 2004, 10 dos 12 autores retrataram-se, descrevendo que não existiam evidências para estabelecer uma associação. Para piorar tudo, a revista onde o artigo foi publicado relatou que o autor principal não tinha declarado conflitos de interesses financeiros. Esse autor era financiado por advogados que processavam indústrias farmacêuticas em ações de reações adversas de vacinação! Em 2010, a revista que publicou o artigo retratou-se completamente, alegando que vários elementos do artigo estavam incorretos.

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Referências:

  1. WAKEFIELD, Andrew et al. “Ileal-lymphoid-nodular hyperplasia, non-specific colitis, and pervasive developmental disorder in children”; NCBI. Acesso em: 28 set. 2017.
  2. DESTEFANO, F.. “Vaccines and autism: evidence does not support a causal association”; NCBI. Acesso em: 28 set. 2017.
  3. DALES, Loring et al. “Time Trends in Autism and in MMR Immunization Coverage in California”; JAMA. Acesso em: 28 set. 2017.
  4. JAIN, Anjali et al. “Autism Occurrence by MMR Vaccine Status Among US Children With Older Siblings With and Without Autism”; JAMA. Acesso em: 28 set. 2017.
  5. FOMBONNE, Eric. “No Evidence for A New Variant of Measles-Mumps-Rubella–Induced Autism”; AAP Gateway. Acesso em: 28 set. 2017.
  6. MILLER, E.. “Measles-mumps-rubella vaccine and the development of autism”; NCBI. Acesso em: 28 set. 2017.
  7. MURCH, S. “Retraction of an interpretation”; NCBI. Acesso em: 28 set. 2017.
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Sou de Teresópolis, Rio de Janeiro, Brasil. Graduado em Fisioterapia pelo Centro Universitário dos Órgãos (Unifesco) e Biologia pela Universidade Federal do Rio de Janeira (UFRJ), sou PhD em Bioquímica pela UFRJ.

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