(Créditos da imagem: Jorge Araujo/Fotos Publicas).

Jornal da USP — O isolamento social tem sido um dos assuntos mais discutidos na pandemia. Efetivamente, ele salva vidas? Era essa a resposta que os pesquisadores do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) Paulo José da Silva e Claudia Sagastizábal queriam ter quando iniciaram um estudo matemático em colaboração com Tiago Pereira e Alexandre Delbem e que resultou em uma página que pode ser consultada pela população.

O grupo fez ajustes do modelo epidêmico Seir, que representa a taxa de replicação do vírus sars-cov-2, tentando descobrir se ela varia no tempo. A ideia era identificar tendências na evolução da taxa de propagação do vírus e consequente aceleração ou desaceleração da epidemia depois do início dos protocolos de distanciamento social que foram implementados a partir de 24 de março.

Medidas para manter o isolamento social são fundamentais para redução do número de novos casos de Covid-19. (Créditos da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil).

Para ouvir a entrevista que o pesquisador Thiago Silva concedeu ao Jornal da USP no Ar, clique aqui.

“Fizemos a análise para o País todo e depois especializamos os resultados para os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Maranhão e para todas as grandes regiões do País”, explicou Paulo Silva, que também é professor do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (IMECC) da Unicamp.

Foram feitas análises para o País todo e, depois, os resultados foram especializados para São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão e todas as grandes regiões do Brasil. (Créditos da imagem: Reprodução).

Foram feitas análises para o País todo e, depois, os resultados foram especializados para São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão e todas as grandes regiões do Brasil – Foto: Reprodução

Muito se discute sobre os reais números da pandemia no Brasil e no mundo, no entanto, os resultados da pesquisa estão baseados nos dados oficiais baixados a partir do site Observatório Covid-19 BR. “Esses dados sofrem de clara subnotificação e, assim, as nossas estimativas também seguirão subestimadas. Porém, acreditamos que mesmo assim é possível ter uma ideia da evolução da epidemia.”

O estudo considerou vidas que seriam salvas com o isolamento social nos próximos 14 dias, a partir de 4 de maio, e concluiu que, “até o dia 19 de maio, seriam salvas 5.513 vidas, o que dá aproximadamente uma vida a cada quatro minutos”, explicou o autor, lembrando ainda que a página atualiza as projeções automaticamente a cada dia. “Logo, os números simulados em 6 de maio irão mudar de acordo com a divulgação diária dos dados oficiais do site Observatório Covid-19 BR.”

Paulo Silva comenta ainda sobre a análise feita levando em consideração estudos específicos para cada região do País. “O distanciamento social parece ter sido efetivo quando consideramos o Brasil inteiro, mas vem perdendo força, o que é preocupante. Essa é a tendência no Sudeste, que concentra a maior parte dos casos e também no Centro-Oeste. O Norte e o Nordeste, que já possuem regiões onde o sistema de UTIs está acima da capacidade, parecem ter entendido a dimensão do problema e passaram a adotar um distanciamento mais efetivo. Na contramão está o Sul, que sofreu um forte pico de casos reportados recentemente com causas a serem estudadas”, concluiu.

Claudia Sagastizábal, professora do IMECC, na Unicamp, comentou ainda sobre as curvas que de uma forma geral foram achatadas. “Objetivamente, esse estudo mostra a eficiência do isolamento e se torna preocupante quando analisamos os picos previstos pelo modelo Seir, que ainda são extremamente altos. Isso sugere que é imperativo que os governos busquem alternativas de controle da epidemia para que não enfrentemos colapsos nos sistemas de saúde em breve.”

Este texto foi originalmente publicado por Jornal da USP. Leia o original aqui.