Concepção artística do asteroide Bennu. (Créditos da imagem: Reprodução).

Em uma manhã de domingo em setembro, um asteroide de 500 metros voará perto da Terra, dentro da órbita lunar. O asteroide tem uma chance em 2.700 de atingir o nosso planeta em 25 de setembro de 2135.

O asteroide é bem conhecido pelos astrônomos e seu nome é Bennu. A NASA tem uma missão, intitulada OSIRIS-REx, que tem como objetivo ir até o asteroide em 2020, coletar uma amostra e depois voltar à Terra em 2023. Bennu foi selecionado porque é um remanescente do antigo Sistema Solar e isso pode nos ajudar a entender o começo da Terra em maior detalhe.

Se Bennu atingir a Terra, o impacto terá uma energia cinética equivalente a 80 mil bombas nucleares de Hiroshima, cerca de 1.200 megatons. Por este motivo, um grupo de pesquisadores americanos usou este potencial impacto como base para um estudo sobre o que fazer para eliminar as chances de colisão. A pesquisa, publicada na Acta Astronautica, descreve uma espaçonave que poderá ser utilizada para desviar o asteroide.

“As chances de um impacto parecem pequenas agora, mas as consequências seriam terríveis”, disse a coautora do estudo, Kirsten Howley, do Laboratório Nacional de Lawrence Livermore (LLNL, na sigla em inglês), em um comunicado.

A missão proposta pelos cientistas, nomeada Hypervelocity Asteroid Mitigation Mission — também chamada de HAMMER —, tem como objetivo alterar ligeiramente a órbita de Bennu a partir do impacto causado pelo pouso da espaçonave.

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A equipe analisou que apenas um impacto pode não ser suficiente. Eles modelaram e divulgaram que para desviar o asteroide Bennu 25 anos antes de sua passagem mais próxima, serão necessários entre sete e onze impactos do HAMMER.

“Quando muitos lançamentos são necessários para uma deflexão bem-sucedida, o sucesso da missão se torna mais difícil devido à taxa de falha associada a cada lançamento individual”, acrescentou Megan Bruck Syal, física do LLNL e coautora do artigo.

Um único HAMMER pode desviar um objeto de 90 metros de diâmetro por cerca de 17 mil quilômetros com um prazo de 10 anos.

No entanto, existe uma alternativa para evitar o uso de vários veículos HAMMER: a nave pode ser equipada com um dispositivo nuclear para dar “aquele chute”. O impacto precisa ser poderoso o suficiente para mover Bennu, mas não tão poderoso ao ponto de destruí-lo. A equipe não modelou o efeito de um dispositivo nuclear em asteroides, mas acredita-se que tal explosão pode produzir uma mudança mais drástica na trajetória.

Adaptado de Alfredo Carpineti para o IFLScience.

Referências:

  1. BARBEE, Brent W. et al. “Options and uncertainties in planetary defense: Mission planning and vehicle design for flexible response”; Acta Astronautica, 2018. Acesso em: 24 mar. 2018.
  2. NASA. “NASA’s OSIRIS-REx Speeds Toward Asteroid Rendezvous”. Acesso em: 24 mar. 2018.
  3. LLNL. “Scientists design conceptual asteroid deflector and evaluate it against massive potential threat”. Acesso em: 24 mar. 2018.
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 17 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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