Um rover se move por um tubo de lava nas Ilhas Canárias, como uma forma de treinamento. (Créditos da imagem: ESA / Robbie Shone).

Fora da Terra, há um grande problema: a falta de proteção natural contra as agressões do Universo. A Terra está, a todo momento, sendo bombardeada por radiação espacial vinda do Sol e de todos os lugares possíveis. Aqui na Terra, no entanto, temos diversas camadas de proteção, como o campo magnético da Terra, a atmosfera e a camada de ozônio. Mas agora talvez possamos considerar também os tubos de lava da Lua e de Marte.

A Lava é, em resumo, rocha derretida, então, bastante plástica. Além disso, fica extremamente sólida ao endurecer. Aqui na Terra, os detectamos principalmente quando desabam ou quando formam claraboias. Mas a maioria possivelmente é segura o suficiente para não desabar. Nada que uma boa análise de engenharia não resolva.

Tubos de lava formam-se por um grande fluxo de lava por determinado caminho. Embora hoje sejam quase mortos, Marte e a Lua já possuíram uma intensa atividade magmática. Quando a lava força as rochas, elas derretem, abrindo um caminho. Ao decorrer de milhares de anos, grandes cavernas formam-se com a passagem dessa lava.

Buscando pelos tubos de lava da Lua e de Marte

Em um estudo recente, publicado em julho no periódico Earth-Science Reviews, uma equipe de pesquisadores argumenta uma exploração mais séria dos tubos de lava da Lua e de Marte — potenciais proteções naturais para assentamentos de astronautas, baseados em varreduras 3D a laser de estudos anteriores. Além de já sustentarem uma capacidade para grandes instalações sem muitas preocupações com estruturas, podem, então, proteger os humanos da radiação espacial.

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Na Terra, esses tubos não são tão grandes, mas já poderiam ser grandes o suficiente para instalações confortáveis. Eles possuem entre 10 e 30 metros de diâmetro. Mas quando nos referimos às cavernas de lava endurecida localizadas na Lua ou em Marte, tratamos de outra escala. Em Marte, portanto, eles poderiam ser quase cem vezes maiores do que na Terra e, na Lua, até mil vezes maiores.

Tubo de lava no Hawaii. (Créditos da imagem: Frank Schulenburg / Wikimedia Commons).

“O mais importante é que, apesar da dimensão impressionante dos tubos lunares, eles permanecem bem dentro do limite de estabilidade do telhado por causa de uma atração gravitacional menor”, explica em um comunicado Matteo Massironi, um dos coautores do estudo.  Massironi é  professor de Geologia Estrutural e Planetária no Departamento de Geociências da Universidade de Pádua

“Isso significa que a maioria dos tubos de lava sob as planícies lisas de maria está intacta. As cadeias de colapso que observamos podem ter sido causadas por asteroides que perfuraram as paredes do tubo. Isso é o que as cadeias de colapso nas Marius Hill [na Lua] parecem sugerir. Mais tarde, podemos ter acesso a essas enormes cavidades subterrâneas”, explica.

Grandes dimensões, grandes utilidades

Na Lua, portanto, os tubos provavelmente variam entre 500 e 900 m de diâmetro. Esse é um tamanho suficiente para conter o prédio mais alto do mundo, o Burj Khalifa, localizado em Dubai, no Emirados Árabes Unidos, com uma altura total de 828 metros. Em outras palavras, poderíamos construir cidades inteiras dentro desses tubos de lava. 

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“Os tubos de lava podem fornecer escudos estáveis ​​da radiação cósmica e solar e dos impactos de micrometeoritos que ocorrem frequentemente nas superfícies dos corpos planetários”, explica Francesco Sauro, autor principal. “Além disso, eles têm grande potencial para fornecer um ambiente no qual as temperaturas não variam de um dia para outro.”

Desde 2012, em parceria com universidades, a ESA (sigla em inglês para Agência Espacial Europeia), treina astronautas para exploração de cavernas. Até o momento, 36 astronautas de cinco agências espaciais diferentes já receberam o treinamento. Em 2019, a ESA também iniciou uma campanha para o desenvolvimento de tecnologias para a exploração dos tubos de lava lunares.

O estudo foi publicado no Earth-Science Reviews. Com informações de LiveScience e EurekAlert.