(Créditos da imagem: Reprodução).

Dar às crianças com autismo uma mistura saudável de bactérias intestinais é uma promissora maneira de melhorar os sintomas comportamentais. Pelo menos é isso que sugere um estudo realizado pelas universidades de Oregon e Madison, ambas nos EUA.

De acordo com o divulgado recentemente, os benefícios do tratamento com transplante de fezes continuaram até dois anos após o término da terapia.

Os especialistas acreditam que a descoberta pode solidificar a conexão entre problemas intestinais e o autismo, além de fornecer mais evidências de como a flora intestinal pode influenciar o comportamento humano.

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Crianças com transtornos do espectro do autismo geralmente apresentam problemas gastrointestinais. Em estudos anteriores, os pesquisadores descobriram que crianças com autismo tinham menos tipos de bactérias vivendo em seu sistema digestivo do que crianças com desenvolvimento típico.

As crianças sem autismo tinham uma bactéria em especial: a Prevotella, que pode ajudar a regular o sistema imunológico. Foi então que pesquisadores começaram a se perguntar se alterar o “coquetel” de micróbios intestinais das crianças com autismo poderia ajudar a corrigir tanto os problemas digestivos quanto os sintomas comportamentais associados ao transtorno.

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Os cientistas realizaram transplantes fecais saudáveis, ao longo de oito semanas, em um pequeno grupo de 18 crianças e adolescentes enquadradas com Transtorno do Espectro do Autismo.

Ficou comprovado que, durante e até dois meses após o tratamento, as crianças tiveram menos problemas gastrointestinais (como diarreia, constipação, dor abdominal e indigestão) do que antes da terapia, além disso, os principais sintomas do autismo (como hiperatividade, ações repetitivas e irritabilidade) também melhoraram. Um detalhe importante é que esses sintomas pareciam estar melhorando ainda mais no final do estudo do que imediatamente após o término do tratamento, porém, haviam dúvidas a respeito de quanto tempo tais melhorias iriam durar.

Essas dúvidas tiveram fim quando, em 10 de julho, os pesquisadores publicaram “2-year follow-up study reveals consistent benefits of Microbiota Transfer Therapy on autism and gut symptoms”, anunciando o estudo que acompanhou as crianças que receberam os transplantes de fezes por dois anos, e os resultados foram considerados satisfatórios: as crianças mantiveram muitos dos Prevotella e outras bactérias benéficas adquiridas durante o tratamento, além disso, a diversidade de bactérias intestinais foi ainda maior dois anos depois do término do tratamento, do que dois meses após o fim da terapia.

Em média, as pontuações em uma escala de sintomas gastrointestinais ainda eram mais de 60% melhores do que antes das crianças receberem os transplantes, mas a verdadeira surpresa foi que os sintomas de autismo das crianças continuaram a diminuir dois anos após o término da terapia.

Os pacientes tinham idades entre 7 e 17 anos quando o estudo começou. Idealmente, o tratamento começaria em idades mais jovens, no entanto, os pesquisadores não conseguiram aprovação para conduzir a pesquisa em crianças mais novas.

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O próximo passo é retomar os estudos para comprovar que as melhoras nos sintomas comportamentais sejam realmente devido ao transplante de fezes. A equipe também pretende conduzir um estudo sobre a terapia em adultos com autismo.

Ainda estamos muito longe de dizer que há uma cura para o autismo”, diz Michael Hylin, um neurocientista da Southern Illinois University, em Carbondale, que não esteve envolvido no trabalho. “Mas eu acho que é uma abordagem promissora”.

Fonte:ScienceNews
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Apaixonada por conhecimento científico, coisas estranhas, séries, desenhos e filmes de terror. Criadora de conteúdo para web desde 2009, escritora nas horas vagas e estudante de Engenharia de Produção.

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