(Créditos da imagem: Reprodução/Transhumanismo).

As pessoas ainda têm dificuldade em perceber que boa parte de nós humanos já somos ciborgues. A dependência social é nata e natural à psique humana e, de quebra, com o advento da tecnologia no século XXI, uma outra dependência surgiu, a tecnológica, oficializando-nos como ciborgues.

As transições evolutivas humanas são complexas; assim como não lembramos direito como se deu a transição de habitador de cavernas rústicas para homem civilizado, com o tempo também nos esqueceremos como era ser apenas um homem civilizadamente moderno, sem acesso às tecnologias deste século. Celulares, tablets, notebooks, cartões de memória, chips, todas essas ferramentas já são extensões dos nossos corpos biológicos, que se tornam pouco a pouco uma necessidade humana. é difícil hoje em dia viver sem um celular, sem acessar redes sociais, sem as tecnologias fantasmas inseridas nos mais diversos aspectos do nosso cotidiano, as quais mal percebemos, como os sistemas embarcados e distribuídos. A tecnologia se banaliza com o tempo até que chega ao estágio de fazer parte da nossa personalidade de forma simbiótica, da nossa cultura, da nossa sociedade, da nossa maneira de pensar de forma integralmente intrínseca, fazendo parte da nossa natureza.

A própria concepção do artificial contrastando com o natural é só mais uma maneira de o humano se sentir protagonista na história da vida no planeta. Consideramos nossas construções de concreto, nossas tecnologias metálicas e sílicas, nossa eletricidade e vidro como artificializações da natureza, enquanto observamos um castor construir uma represa e fechar um rio e chamamos isso de natural, enquanto observamos outras espécies modelarem a natureza também segundo às suas necessidades e ainda assim consideramos tudo isso natural.

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Mas, sob a perspectiva de uma forma de vida cognitivamente superior que pudesse estar eventualmente a nos observar, esta poderá muito bem considerar nossa complexa tecnologia como simples expressão do natural, como o comportamento animal da espécie predominante desse planeta, o gigante fractal da natureza não para em nós.

É questão de tempo até que nossos descendentes estudem nos livros de história a cultura ultrapassada do século XXI, e é importante, ou no mínimo interessante, fazer esses questionamentos agora, transcender psicologicamente o tempo; enxergar a cultura de forma atemporal é uma quebra de paradigma que poucos alcançam.

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"Parte da entropia do universo, ainda assim, singular." — Acadêmico de Ciência da Computação pela Universidade Federal de Sergipe, com foco em inteligência artificial e aplicações de aprendizado de máquina à astrofísica estelar. Cientista, pesquisador, livre-pensador, escritor crítico, divulgador científico, cosmopolita, transhumanista, cético, humanista secular, hedonista, neodarwinista, social democrata libertário, ecológico, astrônomo amador e marombeiro frango.

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