Ilha de Samoa. (Créditos da imagem: Reprodução).

Em meio ao oceano Pacífico existe uma ilha conhecida como Samoa. Os moradores dessa ilha, os samoanos, conservam algumas tradições de seus antepassados, como a pescaria do “Palolo”, verme marinho encontrado apenas uma ou duas vezes por ano, quando se reproduzem.

A reprodução o Palolo, também conhecido como “balolo”, pelos moradores da Ilha Fiji, e Palola viridis, pelos cientistas, é bastante singular. No mês de outubro ou novembro, esses vermes nadam pelo Pacífico, nas proximidades da Ilha de Samoa, para realizarem seu ritual de acasalamento. Os vermes liberam na água a parte posterior de seu corpo, conhecido como “epítoque”, na qual encontra-se os órgãos sexuais masculino e feminino. O restante do verme se esconde entre os corais próximos ao local do acasalamento. Ao liberarem seus epítoques na água, esses pedaços de vermes de coloração rosada e esverdeada passam a noite inteira serpenteando nas águas, até liberarem seus gametas masculinos e femininos na água para que ocorra a fecundação.

Palola viridis. (Créditos da imagem: Reprodução).

Para o desprazer desses vermes, os samoanos desenvolveram um gosto por essas iguarias raras. Todos os anos, no período de reprodução dos palolos, mais precisamente no mês de outubro, os samoanos preparam suas embarcações para aguardarem a subida dos epítoques na água. Ao encontrarem os primeiros vermes, lançam suas redes ao mar e a puxam de volta, trazendo consigo grandes quantidades de epítoques. Se a quantidade pescada for relativamente baixa, é sinal de que no mês seguinte — novembro — virá mais epítoques.

Os pescadores costumam encher baldes de vermes e, com toda certeza, este é um dos momentos mais aguardados do ano, tanto que os moradores da ilha organizam todos os anos a “festa do palolo”, momento de grande comemoração e alegria para os samoanos. Aqueles que comercializam os vermes, os vendem a preços altos. Mas, esses organismos não são utilizados apenas para vender ou comprar; muitos nativos os usam também para rezar ou reverenciar.

Apesar de toda essa alegria e comemoração, a pescaria do palolo coloca esses organismos em risco de extinção, pois, as epítoques liberam seus gametas apenas quando surge os primeiros raios de luz da manhã, mas, os moradores realizam as pescarias durante a madrugada, interrompendo o ciclo reprodutivo desses vermes e, por consequência, reduzindo sua população a cada ano.

Apesar do palolo ser uma iguaria alimentar tradicional, se os moradores do local não entenderem os impactos biológicos que causam à espécie, daqui há alguns anos, restaram apenas as lembranças das alegres festas do palolo. Uma medida cabível para tentar solucionar o problema é realizar as pescas não durante a madrugada, mas pela manhã, quando as epítoques já liberaram seus gametas na água. Assim, os moradores continuaram tendo à sua disposição esse alimento, ao mesmo tempo que os vermes completam seu ciclo reprodutivo, beneficiando ambos os lados.