"Cristo e a mulher samaritana no poço", Il Guercino. (Créditos da imagem: (Museo Nacional Thyssen-Bornemisza, Madrid Inv. no. 176).

Jesus era apenas mais um cidadão comum da Antiguidade da Judéia ou parte da elite intelectual? Estudar tornou-se comum apenas nos dias de hoje, e ao que parece, Jesus estudou. Alguns especialistas trazem o debate que talvez Jesus fosse instruído e poliglota (alguém que fala várias línguas), conforme descreve o paleontólogo Jack Wilkin em um artigo para o portal Ancient Origins. De 5% a 10% da população da Judéia possuía algum nível de alfabetização no primeiro século Era Comum.

Embora seja uma figura religiosa, é quase um fato que Jesus realmente existiu. A historiografia estabelece uma figura chamada “Jesus histórico”. Trata-se da leitura histórica de quem foi Jesus. Conforme já abordamos em um texto, a Bíblia e muitos outros livros sagrados não são confiáveis nos fatos. Às vezes eles servem como bases para encontrar alguns caminhos, mas as fontes científicas são outras.

“Você afirmar que Jesus não existiu é uma teoria conspiratória do mesmo tipo que dizer que o homem não foi à Lua”, disse o historiador Jonathan Matthies em uma entrevista com o psicólogo Dr. Daniel Gontijo, disponível no Youtube. Ele era uma figura importante, no âmbito político, social e religioso — isso é fato. Já se ele possuía algum poder divino, é uma crença individual dos cristãos. Mas ainda há quem duvide de sua existência.

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Então, a história busca descobrir quem foi, afinal, Jesus Cristo, já que obviamente a Bíblia o distorceu muito.

Jesus era instruído e poliglota?

Jesus era judeu, mas isso não significa que ele falasse hebraico. A Judéia localiza-se ao sul de Israel. O hebraico é a língua oficial de Israel. Mas na Judéia, onde Jesus nasceu, falava-se o aramaico, como língua franca. Além disso, ele possivelmente falava, como língua materna, o dialeto galileu da língua aramaica. Mas há evidências também de que ele soubesse o hebraico e a língua grega.

Na época em que Jesus viveu, o Império Romano dominava aquela área do Oriente Médio. O Império Romano foi fortemente influenciado pelos gregos, e utilizavam principalmente o latim, mas também o grego como língua oficial em algumas províncias sob seu domínio. Fazia sentido ao Império utilizar o grego como língua por ali, já que havia, num passado até então recente, um comércio considerável entre portos locais e os gregos, conforme já abordamos. Mais tarde, os bizantinos também utilizaram o grego por ali.

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Um dos argumentos de que Jesus foi letrado, por exemplo, é uma suposta troca de correspondências entre Jesus e Abgar V de Edessa, ou Abgar V Ukkama de Osroene – a Lenda de Abgar. Como o próprio nome diz, a história é, ao que sabemos, uma lenda, embora exista uma carta cuja procedência nunca foi desmentida ou comprovada.

Na verdade, não há muitos registros arqueológicos sobre determinados períodos da região. “A realidade é que não temos registros arqueológicos de praticamente qualquer pessoa que viveu na época e lugar de Jesus”, diz o professor Bart D. Ehrman ao HistoryJá falamos um pouco sobre essa falta de evidências de alguns períodos do Oriente Médio quando falamos do reino de Geshur. 

Então, alguns especialistas pensam que Jesus era instruído e poliglota, e outros que era analfabeto, assim como quase todo mundo. Mas não podemos afirmar nada com certeza.

Publicado originalmente por SoCientífica. Leia o original aqui.