(Créditos da imagem: Fabian Horst / Wikimedia Commons).

abordamos o 5G em um artigo aqui no Ciencianautas, desde as polêmicas políticas, até a explicação técnica. A tecnologia vem causando polêmica em todo o mundo — principalmente na guerra de influência entre Estados Unidos e China. Graças a uma capacidade de transmissão de dados muito maior do que com as gerações de internet móvel anteriores, o 5G revolucionará a internet das coisas e a forma como utilizamos a internet móvel no geral. Portanto, é importante o desenvolvimento da tecnologia 5G nacional.

A tecnologia 5G em desenvolvimento por pesquisadores brasileiros tem o potencial de beneficiar 1 bilhão e meio de pessoas. A tecnologia pode tornar-se padrão, no âmbito global, como infraestrutura de 5G para áreas remotas, muitas vezes abandonadas. Dessa forma, pessoas esquecidas poderiam se integrar à globalização.  Além disso, há aplicações também para a distribuição da rede em fazendas, minas e outras propriedades distantes de centros populacionais. 

Os primeiros testes da tecnologia 5G nacional ocorreram em Santa Rita do Sapucaí, cidade no interior do estado de Minas Gerais. E há um boa notícia: o sistema possui um potencial de aplicação muito bom.

Infraestrutura de baixo custo

Em resumo, os sinais do 5G não chegam muito longe. Para uma onda carregar muita informação, sua frequência precisa ser maior. No entanto, quando maior a frequência, mais difícil superar obstáculos. É por isso, por exemplo, que as ondas de rádio atravessam as paredes, mas a luz visível não. O rádio carrega pouca informação, mas é muito bom em atravessar obstáculos.

Portanto, para a aplicação do 5G, necessita-se de muito mais torres de transmissão do que para o 4G. Mas locais mais pobres, ou afastados de grandes cidades não seriam capazes de manter essas torres. Refazer todo um sistema de internet é extremamente caro, e precisa ser rentável para uma empresa aplicar. Os cientistas, então, tiveram a ideia de aproveitar as estações rádio-base (ERBs), que são as torres de celulares mais simples,  para transmitir os sinais 5G.

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“A vazão de dados alcançada permite a um drone, por exemplo, enviar imagens em alta resolução em tempo real de uma lavoura para avaliar se há presença de pragas ou que irrigadores sejam acionados remotamente. Também possibilita a transmissão de voz e dados em alta velocidade, tudo ao mesmo tempo”, explica Luciano Leonel Mendes, um dos responsáveis do projeto, à Revista Pesquisa Fapesp.

(Créditos da imagem: Pixabay).

Mendes trabalha no Centro de Referência em Radiocomunicações do Instituto Nacional de Telecomunicações (CCR-Inatel). Também estão envolvidas no projeto o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), as Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Ceará (UFC), a Universidade de Brasília (UnB), a Ericsson do Brasil, além de algumas universidades europeias.

Interesse global

A solução já despertou o interesse de, por exemplo, China, Índia, Rússia, Estados Unidos, Finlândia e Austrália, conforme a Revista Pesquisa Fapesp. No entanto, ainda necessita-se de aprovação de um órgão internacional, o Generation Partnership Project (3GPP). O Release 17, previsto para 2025, trará as especificações de redes para áreas remotas, e somente após essa publicação, é possível a  aplicação da nova tecnologia.

“Por ora, estamos trabalhando para a Agência Nacional de Telecomunicações [Anatel] aprovar o uso da tecnologia em território nacional para aplicações em redes de uso privativo no campo ou em indústrias”, explica Mendes.

Com informações de Revista Pesquisa Fapesp.