(Créditos da imagem: Reprodução).

Há momentos na história nos quais a maioria de nós estará olhando para o mesmo lugar. Hoje olhamos para você, professor Hawking!

Uma vida ávida

Achei justo compartilhar com vocês um pouco (muito pouco mesmo) do que Hawking fez em vida. Bastaria procurar em sites de buscas, que uma vasta gama de bibliografias apareceriam. Mas costumo não olhar a vida das pessoas biograficamente. Nossa história é mais que uma linha do tempo de dados.

Nós somos aquilo que fazemos, e Stephen fez muito… Sua famosa imagem, meio sentado de qualquer jeito sobre uma cadeira elétrica, era quase tão desleal, quanto sua voz robótica. Aos 21 anos Stephen foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA). Doença que prejudica todo sistema motor, sem alterar funções cerebrais. Sabe por que sua condição era desleal? Stephen parecia frágil, mas sobreviveu 55 anos a uma doença que em 90% dos casos mata em menos de 4 anos. Tire um momento para imaginar a história sem ele.

As mais famosas contribuições que fez a ciência podem ser descritas como gigantes, e algumas mais modestas, mas seu papel em divulgar a ciência talvez tenha sido ainda mais importante. Pessoalmente foram 3 os artigos que mais me fascinaram em ler. Além, é claro, de vários de seus livros. Deixarei linkado abaixo não os artigos, mas explicações mais fáceis para cada teoria.

  1. 1970: Singularidade em colapso gravitacional.
  2. 1971-1972: Mecânica dos buracos negros.
  3. 1974-1975: Buracos negros podem desaparecer.

Hawking não era assim uma unanimidade. Por muitas vezes fez algumas afirmações sem dados, ou exagerava demais com suas preocupações. Talvez houvesse muita inveja, algo comum nesse meio, a grande atenção que ele recebia da mídia e do mundo. Ele já não era só mais um cosmólogo, era um popstar. De certo modo soube muito bem administrar, entre polêmicas e acertos, uma maneira de chamar a atenção para a ciência, e fazê-la principalmente com o seu livro Uma Breve História do Tempo um assunto muito mais cotidiano.

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Assim como Sagan eu o considero o maior divulgador científico da história.

Às vezes me pegava imaginando como sua condição pode ter sido uma barreira para seu desenvolvimento. Se seria possível sua genialidade ter ido mais longe, não só para ele, mas para nós. Ou como ele própria dizia, talvez tenha sido exatamente por estar tão imóvel, que o tédio interminável o fazia, a nunca parar de pensar e estudar o Universo a nossa volta.

São coisas como essas, que no acaso da vida, nos dão a possibilidade de imaginar como o caos imprevisível têm impactos inimagináveis em resultados futuros.

A morte do físico

“Eu não tenho medo da morte, mas não estou com pressa de morrer. Existe muita coisa que ainda quero fazer”. Esta é a frase que estará em sua lápide. (Créditos da imagem: Reprodução).

Sim é um trocadilho (físico = corpo/profissão). Assim como tantos outros como ele próprio fazia. Seu humor ácido por vezes, era quase um motor para sua condição. Eu li quase todos seus livros, e muitas vezes me pegava olhando para momentos em que ele fazia uma aparição na TV.

Sabe aquele sentimento de perder alguém que se ama? Muitas vezes se compara em perder um ídolo. Passei tempos tentando entender como seria possível sentir emoções parecidas, por pessoas que nunca encontramos na vida, e que não têm a menor noção de nossa existência.

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E cheguei a resposta somente hoje…

Foi há um ano e meio que perdi meu avô. Uma dor incomparável, e quase sem cura, por ter sido responsável pela maior parte de quem sou. Aprendi uma lição memorável sobre a vida, muito mais do que sobre a morte.

A morte tem estágios pelos quais todos nós passaremos. A dor inicial, a não aceitação, o aprendizado e reconstruir a vida, e a saudade eterna. Mas entendi que é na vida que eu me apoiaria, em tudo que ele fez. Hoje quando me lembro dele, já me lembro somente com alegria.

É exatamente como perder ídolos. Nossas dores são intensas, porque nossas vidas de alguma maneira foram alteradas por eles. Somos uma construção cheia de tijolos que não fomos nós quem colocamos ali. Aprendi com Stephen que temos que absorver o máximo de todos aqueles que admiramos, sem medo de perdê-los. Pois de alguma maneira, cada vez estaremos maiores, e pedaços daqueles que se foram, irão viver conosco para sempre. Para nós que não acreditamos em vida pós morte, a vida não se acaba só porque seu corpo se foi. Para nós a vida será eterna enquanto alguém se lembrar de nós.

Hawking é verdadeiramente imortal

Que o mundo possa proporcionar cada vez melhores condições, para que tenhamos a possibilidade de gênios serem mais comuns. Para que possamos olhar seus feitos, e sonhar com um futuro, nos inspirar em criar e entender melhor a vida em que estamos.

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Minha singela homenagem não é uma ode ao tamanho da importância que Ele possui na história. Mas um relato de como cada um de nós pode aprender um pouco com alguém. E humildemente entender que Hawking foi e sempre será um parágrafo destacado na história da nossa espécie.

Mesmo sem um corpo ativo, mostrou que mente pode viajar pelo espaço e tempo.

“Então lembre-se de olhar para as estrelas, e não para seus pés. Tente achar um sentido para o que vê, e pergunte-se o porquê da existência do Universo. Seja curioso. E não importa o quão difícil a vida seja, há sempre algo que você pode fazer e ter sucesso. Não desista. É um tempo maravilhoso para estar vivo.”

— Stephen Hawking.

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Inquisidor de dogmas, vive em uma realidade paralela onde não acredita em problemas insolúveis. Publicitário e astrônomo, também flertou com cursos de ética, fotografia, filosofia, biologia e sociologia. Acredita que currículos não descrevem ninguém, seu guia para a vida passa pelo O Andar do Bêbado, A Origem das Espécies e O Universo em uma Casca de Noz. Sua religião é a ciência e não se incomoda de ser um pregador. Sente-se atraído pelas novas formas de interagir, divulgar e viver no mundo on-line, descobriu que ali é seu lugar e pretende entender cada vez mais sobre esta forma de vida peculiar e tão atraente.

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