(Créditos da imagem: CNPEM).

Todo nerd que se respeite já sonhou com algum acidente científico que o desse algum poder. Já pensou em virar um Flash?

Lamento em te decepcionar, mas isso é impossível. Porém, não tira a graça da obra que a ciência está gerando no Brasil. Campinas, no interior do estado de São Paulo, é o berço do Sirius, o novo acelerador de partículas brasileiro, equipando o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS).

Em construção desde 2014, a equipe do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), responsável pelo projeto, sofre com cortes orçamentários e corre contra o tempo para a finalização do equipamento. É o segundo acelerador de partículas do laboratório. O primeiro é o UVX, hoje já obsoleto, por isso será substituído.

Nos últimos dias o governo federal anunciou a liberação de mais R$70 milhões para a finalização da construção. De R$1,8 bilhão estimado, até agora foram liberados pouco menos de R$1,3 bi.

Acredita-se que até novembro os primeiros testes possam ser feitos. Em 2019 deve estar funcionando em pleno vapor. Será a fonte de luz síncrotron mais avançada do mundo, até que outro o substitua.

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Para se ter a ideia de sua grandeza, será superior ao European Synchrotron Radiation Facility (ESRF), na França. O ESFR é o síncrotron onde a israelense Ada Yonath realizou os experimentos que definiram a estrutura tridimensional do ribossomo. Yonath foi laureada com o Nobel da Química de 2009.

Com o UVX, foi possível definir a estrutura tridimensional da estrutura de uma proteína essencial na reprodução do zika vírus. A resolução das imagens do Sirius devem ser mil vezes superior ao do UVX.

“O Sirius está muito próximo do limite daquilo que a engenharia permite construir e será capaz de produzir ciência competitiva internacionalmente por, ao menos, uma década”, disse o diretor do LNLS, o físico Antônio José Roque da Silva.

Quando foi aprovada a construção da velha fonte de luz síncrotron, a Sociedade Brasileira de Física (SBF), publicou um manifesto contrário, alegando que o Brasil não tinha a capacidade para tal e que apenas seria gasto de dinheiro. O projeto, no entanto, trouxe bons resultados. Segundo o físico Cylon Gonçalves da Silva, um dos responsáveis pela construção do UVX, “a construção da máquina era mera desculpa para formar pessoas qualificadas para gerar tecnologia no país e capazes de produzir ciência na fronteira do conhecimento. Acertamos ao optar por projetar e construir o máximo em casa, o que gerou a expertise usada no Sirius”.

O que é a luz síncrotron?

A radiação eletromagnética são ondas capazes de transportar energia e informações, como a luz visível. No caso da radiação síncrotron, abrange uma grande área do espectro, como os raios-X, luz ultravioleta e luz Infravermelha.

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O funcionamento do acelerador

De forma simplificada, inicialmente, um filamento de tungstênio é aquecido, liberando elétrons (parece fácil, mas não é). Uma carga elétrica leva os elétrons para serem acelerados. No final, um magneto os lança para o booster.

O booster é uma estrutura circular onde o feixe de elétrons será acelerado a quase a velocidade da luz. Após atingir a velocidade final, os elétrons são enviados ao anel de armazenamento, o acelerador principal, com 500 metros de circunferência.

Nele, o feixe se movimenta por algumas horas, liberando grandes quantidades de energia. Essa energia pode ser utilizada para pesquisas em diversas áreas, como agricultura, física nuclear, arqueologia, mineração, farmacêutica, etc.

Talvez a criação de meta-humanos seja uma utilidade ainda desconhecida. Aguardemos.

Referências:

  1. GALILEU. Governo libera parte da verba para conclusão do acelerador Sirius. Acesso em: 24 set. 2018.
  2. LNLS.Introdução aos aceleradores. Acesso em: 24 set. 2018
  3. ZORZETTO, Ricardo. Salto para um brilho maior; FAPESP. Acesso em: 24 set. 2018.
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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, pretendo seguir carreira no jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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