(Créditos da imagem: Pixabay).

Não é raro ouvir falar de famílias abastadas que congelam corpos de parentes na tentativa de, futuramente, revivê-los. Bom, isso já foi feito algumas vezes ao longo da última década, mas com seres mais simples, em laboratório.

Apresentaremos, aqui, exemplares de dois reinos: plantas e animais.

Das plantas

As briófitas estão entre as plantas mais simples no planeta, evolutivamente falando. Você deve ter visto, na aula de biologia, que elas foram as primeiras a vir para o ambiente terrestre, descendendo das algas. 

Em geleiras do Canadá, que apresentaram um descongelamento, pesquisadores encontraram plantas que foram congeladas, há cerca de 400 anos, no estado ideal para manter-se conservadas, com suas características. 

Os pesquisadores descrevem estudos anteriores em que foram atribuídos à ressuscitação, a germinação de esporos dormentes. No entanto, o que eles constataram foi que algumas células das plantas, em um processo chamado desdiferenciação celular, regrediram sua especialização, transformando-se em um tecido meristemático, o que equivaleria, em um animal, a uma célula tronco — células sem especialização que podem se transformar em qualquer outro tipo de célula. Essa regressão possibilitou que novos galhos brotassem. Diversas espécies foram utilizadas, mas a que apresentou melhores resultados foi a Aulacomnium turgidum.

O estudo diz ainda, é que incorreto dizer que áreas glaciais são estéreis, uma vez que com o recuo das geleiras, pode haver um retorno imediato da vida nesses locais. As geleiras podem ser chamadas, portanto, de “reservatórios genéticos”.

No permafrost da pequena ilha de Signy, parte de um arquipélago ínfimo, quase engolido pelo oceano, ao sudeste do continente Sul Americano, outro estudo reviveu musgos da espécie Chorisodontium aciphyllum congelados, datados de cerca de 1,5 mil anos, ou seja, foram congelados mais ou menos na época da queda do Império Romano do Ocidente, para se ter um panorama. Ainda faltava cerca de mil anos para que os Portugueses e Espanhóis iniciassem as invasões da América. 

Planta brotando novamente após 1500 anos congelada. Créditos: Science Direct

O incrível animal

O caso mais impressionante, no entanto, foi com certeza um pequeno animal datado entre 30 e 40 mil anos, ou seja, a civilização mais antiga conhecida ainda estava muito longe de iniciar sua existência. Ele foi congelado em uma época que ainda havia outras espécies humanas habitando o planeta.

Nas planícies dos rios Kolyma e Alazeya, no “amigável” frio da Sibéria, alguns nematóides, vermes muitas vezes parasitas, foram encontrados. Cultivados em uma temperatura mais amigável, em um líquido com  ágar e bactérias Escherichia coli, os animais voltaram à vida. Foram os seres mais complexos já retirados do estado de Criogenia. 

Esses três casos podem ter aplicações interessantíssimas nos campos da criogenia, até mesmo para viagens espaciais e em estudos da astrobiologia.

Nota:

  1. Creditando, apesar de nosso artigo ser de autoria original, a coletânea de estudos nessa matéria utilizada, foi originalmente coletada por Milena Elísios, em artigo da SoCientífica.

Referências:

  1. LA FARGE, C. et al. Regeneration of Little Ice Age bryophytes emerging from a polar glacier with implications of totipotencyin extreme environments; PNAS, 2013. Acesso em: 26 mar. 2020.
  2. ROADS, E. et al. Millennial timescale regeneration in a moss from Antarctica; Science Direct, 2014. Acesso em: 26 mar. 2020.
  3. SHATILOVICH et al. Viable Nematodes from Late Pleistocene Permafrost of the Kolyma River Lowland; Springer Link, 2018. Acesso em: 26 mar. 2020.

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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pela divulgação científica Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente curso Física na UFScar e escrevo para o Ciencianautas.