Concepção artística do Planeta Nove. (Créditos da imagem: NagualDesign/Tom Ruen/ESO/Wikimedia Commons).

Parece haver algo grande nos confins do Sistema Solar mexendo com as órbitas de algumas das rochas do Cinturão de Kuiper. Alguns astrônomos acreditam que é um planeta com cerca de cinco vezes a massa da Terra. Eles nomearam este possível objeto celeste de Planeta Nove.

Mas encontrar esse possível planeta não é tão simples. Visto da Terra, ele pareceria extremamente pequeno e pouco brilhante, e nem sabemos para onde devemos olhar. Os astrônomos estão pesquisando, mas é um trabalho lento e meticuloso. De acordo com um novo artigo, no entanto, pode haver outra maneira: o Transess Exoplanet Survey Satellite (TESS) da NASA. E é possível que o planeta já tenha sido observado e está oculto nos dados do TESS.

O TESS procura por exoplanetas usando o método de trânsito. O equipamento observa fixamente uma parte do céu por longos períodos à procura de eclipses fracos e regulares na luz das estrelas, causados por planetas em órbita entre nós e a estrela (o que é conhecido como trânsito). No caso do Planeta Nove, seria impossível detectar seu trânsito, porque não passaria entre o TESS e o Sol.

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No entanto, a maneira como o TESS observa fixamente para partes do céu por longos períodos pode ser combinado com uma técnica de astronomia chamada de rastreamento digital. Para revelar quedas de trânsito, o TESS registra muitas fotos de um campo de visão. Se você empilhar essas imagens, os objetos fracos podem se tornar muito mais brilhantes, revelando objetos que, de outra forma, seriam ocultos.

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Como o Planeta Nove é um objeto em movimento, apenas empilhar as imagens não revelaria, necessariamente, o planeta. É aqui que tudo fica complicado, pois você precisa calcular uma órbita estimada do objeto e mudar as observações para o centro dessa posição estimada — e, assim, empilhar as imagens.

“Para descobrir novos objetos, com trajetórias desconhecidas, podemos tentar todas as órbitas possíveis”, escreveram os pesquisadores no artigo.

Apenas alimente suas imagens e correções de órbita em um programa de software e aguarde os resultados. Parece uma abordagem complexa, mas pode funcionar. Por exemplo, o rastreamento digital com o Telescópio Espacial Hubble foi usado para descobrir vários objetos além de Netuno.

A grande questão é se o TESS é poderoso o suficiente para detectar o Planeta Nove. Mas há uma maneira de testar isso também. Os modelos sugeriram que o Planeta Nove tem uma magnitude aparente — isto é, o brilho visto da Terra — entre 19 e 24. Existem alguns objetos trans-netunianos em órbita conhecidos que têm magnitudes aparentes dentro deste intervalo — Sedna (20,5 a 20,8), 2015 BP519 (21.5) e 2015 BM518 (21.6).

Da esquerda para a direita: Sedna, 2015 BP519 e 2015 BP518. As imagens estão em negativo para facilitar a visualização dos objetos. (Créditos da imagem: Holman et al./Research Notes of the AAS).

Então, a equipe usou o rastreamento digital para encontrar cada um desses três objetos e todos os três apareceram claros em baixa resolução, mas ainda identificáveis.

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Teoricamente, o TESS deve ser capaz de ver qualquer objeto em torno dessas magnitudes. O que significa, de acordo com os pesquisadores, que também deve ser capaz de ver o Planeta Nove. Pode até já estar lá nos dados, mas ainda não o encontramos. [ScienceAlert].

Referência:

  1. HOLMAN, Matthew J.et al. “A TESS Search for Distant Solar System Planets: A Feasibility Study”; Research Notes of the AAS, 2019. Acesso em: 15 nov. 2019.
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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