(Créditos da imagem: Cecília Bastos/USP Imagens).

Sucedendo, muitas vezes, diversas doenças cardiovasculares, a insuficiência cardíaca é a baixa eficiência do coração ao bombear o sangue pelo corpo.

Segundo um estudo de 2015, no Brasil, cerca de 100 mil casos de doenças cardíacas ocorrem todos os anos, com uma taxa de morte de 50%.

Deixando a marca brasileira, já que foi um importante trabalho brasileiro, foi escolhida a sigla SAMBA para nomear a molécula. É um acrônimo para Selective Antagonist of Mitofusin 1 and Beta2-PKC Association.

“Damos muito valor ao que vem de fora e pouco ao que é daqui. Além disso, a SAMBA serve para manter o bom ritmo do coração”, brinca Júlio César Batista Ferreira, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, coordenador da pesquisa.

A pesquisa, feita pela USP, com cooperação da Universidade de Stanford, foi descrita em um artigo publicado na Nature Communications no último dia 18.

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Iniciando os trabalhos em 2009, os pesquisadores descobriram que a interação entre duas proteínas — Beta2PKC e Mfn1 —, prejudica o funcionamento das mitocôndrias, que produzem energia, o que reflete na dificuldade de contração e expansão das células cardíacas.

Ferreira compara uma mitocôndria ao motor de um carro: “A mitocôndria funciona como um motor de carro, onde problemas no seu funcionamento resultam em desperdício de combustível e maior poluição”.

Com a engenharia genética os cientistas conseguiram sintetizar um peptídeo — partes de proteínas — que impede que a Beta2PKC desligue a Mfn1. Ela foi então, batizada de SAMBA.

Inicialmente, foram feitos testes in-vitro. Após demonstrarem sua eficácia, utilizaram ratos, com um grupo-controle que utilizou placebo. A proteína também passou pelo segundo teste.

Algo que impressionou os cientistas foi que, além de bloquear a progressão da insuficiência cardíaca, a proteína fez o problema regredir, o que a diferencia dos outros tratamentos.

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“A grande maioria dos medicamentos disponíveis hoje para tratar a insuficiência cardíaca foi desenvolvida da década de 1980 e atua fora da célula cardíaca”, afirma Ferreira. “Precisamos de medicamentos mais efetivos que controlem processos críticos na célula cardíaca em sofrimento, capazes de aumentar o tempo e a qualidade de vida dos pacientes. Mas essa é uma tarefa árdua.”

A previsão é que agora leve aproximadamente 10 anos de pesquisa para que a molécula seja transformada em um fármaco. Apesar de o pesquisador ter pedido a patente da SAMBA nos EUA, ele a disponibilizará para que outros pesquisadores possam trabalhar em cima da molécula.

Referências:

  1. BERNARDES, Júlio. “Descoberta molécula que pode aperfeiçoar tratamento da insuficiência cardíaca”; Jornal USP. Acesso em: 25 jan. 2019.
  2. FERREIRA, Júlio C. B. et al. “A selective inhibitor of mitofusin 1-βIIPKC association improves heart failure outcome in rats”; Nature Communications. Acesso em: 25 jan. 2019.
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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, pretendo seguir carreira no jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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