Os moradores da Comunidade Senzala têm uma moradia bem precária, pois residem dentro do manguezal. Quando a maré sobe, as águas chegam a invadir suas casas. (Créditos da imagem: Fredsons Fotos/Flickr).

Desde a época do descobrimento do Brasil pelos portugueses, os manguezais são utilizados como fonte de renda e sustento para muitas famílias. Indígenas nativos e povos de outros lugares costumavam construir cabanas em áreas próximas aos mangues, pois, além de retirar alimentos dessas áreas, utilizaram os estuários (parte aquática do manguezal) como rota de transporte para suas embarcações, seja para transportar mercadorias, interligar tribos indígenas, entre outros.

Ainda hoje, essas práticas são realidade nos manguezais de todo o Brasil, e vêm se intensificando cada vez mais. Entretanto, apesar de serem locais ocupados há tempos pelo homem, essas áreas não são propícias à ocupação humana devido a fatores como: dinâmica das marés que representam riscos de inundação em tais áreas; solo tipicamente arenoso com bancos de lama, inapropriados ao estabelecimento de moradias seguras, entre outros.

Entretanto, devido o crescimento populacional cada vez mais crescente, juntamente com os problemas sociais e  econômicos que nosso país enfrenta há tempos como mal distribuição de renda, desemprego, falta de moradia para muitas famílias, entre outros fatores, muitas famílias de baixa renda precisaram optar por construir suas moradias próximas aos mangues devido a presença de alimento (recursos pesqueiros), mesmo sendo áreas menos propícias à ocupação humana e que por este motivo não são ocupadas por pessoas de renda mais alta, pois normalmente optam pelos centros urbanos. Assim, essas áreas ficam “disponíveis” (apesar das leis ambientais) para que outras pessoas habitem.

Todavia, a ocupação desordenada dos manguezais gera poluição nesses ambientes, representando riscos diretos à saúde pública do local, bem como de populações residentes em outras áreas, mas que são beneficiadas pelos recursos pesqueiros oriundos dessas áreas. Muitas ocupações nesses locais carecem de saneamento básico, resultando no despejo de dejetos (lixo, esgoto, etc.) no rio e nas florestas de mangue. A poluição aquática provoca consequências diretas na fauna, como contaminações de peixes, crustáceos e outros organismos que habitam essas áreas; como esses animais são pescados para alimentação das famílias, bem como para comercialização em feiras e mercados, tal contaminação pode resultar em doenças e parasitoses para os seres humanos, sendo este fator uma causa para possíveis surtos e epidemias na população.

Além disso, o desmatamento das florestas de mangue para a retirada de lenha para construção de fornos e casas, por exemplo, também aumentam os índices de poluição do ar devido a emissão de poluentes e redução dos “filtros naturais” do gás carbônico, que são as árvores; isto aumenta as chances do surgimento de doenças respiratórias na população.

Além desses fatores, muitas pessoas utilizam a água poluída dos estuários para consumo ou higienização, aumentando os riscos de contaminação e proliferação de doenças.

Jessika Albuquerque
Jessika Gabriel de Albuquerque, graduanda em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e membra do Laboratório de Ecologia de Térmitas (LET). Ministra aulas e realiza pesquisas científicas, além de ser autora em jornais e sites de divulgação científica.