(Créditos da imagem: André Zumak/IHP).

O número de focos de queimadas registrados pelo INPE no Pantanal durante a 1ª quinzena de agosto superou o total acumulado ao longo do mesmo mês no ano passado; em menos de 30 dias, o número absoluto já apresenta uma alta de 53%, informa o G1.

Por ClimaInfo.

Entre 1º de janeiro e 13 de agosto, o Pantanal sofreu um aumento de 240% na quantidade de focos de queimadas. Segundo a Folha, desde o início do ano, o Pantanal perdeu mais de 10% de sua cobertura vegetal, cerca de 1,55 milhão de hectares — uma área equivalente a 10 vezes a extensão do município de São Paulo. O dado foi destaque no Jornal Nacional.

O fogo consome não apenas a vegetação, mas também reduz a diversidade biológica do bioma, que pode demorar muitas décadas para se recuperar. Carcaças queimadas de cobras, jacaré, lagartos e outros répteis pantaneiros viraram elementos frequentes no cenário de devastação. Tamanduás e capivaras também têm sido vítimas recorrentes do fogo. No Correio Braziliense, especialistas expressaram temor quanto à atual estiagem não ser um evento isolado, mas um indício de um novo padrão climático mais seco, o que dificultaria a recuperação da área queimada.

O Globo apontou o impacto que as queimadas estão causando nas populações ribeirinhas. Ameaçadas pelo fogo e acometidas por problemas de saúde associados à fumaça e ao calor dos incêndios, essas pessoas estão sendo forçadas a abandonar suas casas, em direção a abrigos temporários nas cidades do entorno.

Mas mesmo cidades distantes dos focos de queimada estão sofrendo com seus efeitos. Como mostrou a BBC Brasil, a intensificação dos incêndios no Pantanal tem gerado nuvens densas de fumaça que, com muita frequência nas últimas semanas, encobrem diversas cidades no Centro-Oeste. Aliada ao tempo seco característico do inverno, essa situação facilita a ocorrência de problemas respiratórios – o que, nas circunstâncias pandêmicas atuais, representa um desafio adicional à rede pública de saúde da região.

O crescimento brutal das queimadas no Pantanal traz um novo problema para a imagem do Brasil no exterior. Como lembra Jennifer Ann Thomas, na Veja, a falta de medidas de prevenção é um fator importante que ajuda a explicar a facilidade com a qual os focos de incêndio se multiplicaram na região. Um dado interessante é a comparação de valores investidos para prevenção de queimadas: em 2017, o Brasil investiu pouco mais de R$ 6,00 por km2, enquanto os EUA desembolsaram mais de R$ 1,9 mil por km2.

Este texto foi originalmente publicado por ClimaInfo. Leia o original aqui.