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Em genética, hereditariedade é o nome dado a transmissão de caracteres de uma geração à outra. A informação genética é transmitida através dos genes, que são segmentos de uma molécula de DNA e, sendo assim, porções de informação.

As primeiras noções do que é hereditariedade surgiram com a agricultura e com a criação de animais, quando nós começamos a perceber que a reprodução dos organismos geram indivíduos semelhantes aos genitores. Entretanto, não se sabia como era possível que isso ocorresse e muitos tentaram explicar.

Até o final do século XIX, a ideia do filósofo grego Hipócrates era bastante aceita e foi estabelecida por ele por volta do ano 410 a.C. Hipócrates defendeu a ideia da pangênese, afirmando que o organismo produz partículas denominadas “gêmulas” que eram direcionadas as células germinativas, e que essas mesmas partículas eram transmitidas no momento da reprodução, criando um novo organismo com características de ambos progenitores. Logo depois surgiu a hipótese de Aristóteles, propondo que tanto o pai quanto a mãe eram responsáveis pela liberação do material genético para as novas gerações. Aristóteles propôs a existência de algum material no sêmen que era produzido pelos pais e garantia essa transmissão. O sêmem, para ele, era usado no sentido de gametas. Em seus escritos foram encontradas diversas críticas à hipótese de Hipócrates.

Depois de Aristóteles e Hipócrates, surgiram outras hipóteses, mas quase todas pouco inovadora. No entanto, no século XIX, o monge Gregor Mendel conseguiu reconhecer a segregação independente.

Gregor Johann Mendel foi filho de camponeses, nasceu em Heinzendorf, na Áustria, no ano de 1822. Sua vocação religiosa fomentou sua vocação científica. Aos 21 anos, Mendel entrou para o Mosteiro Agostiniano de São Tomás. Em seguida, ingressou na Universidade de Viena para estudar ciências naturais. Mendel passou a dividir seu tempo em lecionar e em plantar ervilhas no jardim. Anteriormente, Mendel tinha tentado estudar com ratos e abelhas, mas não obteve sucesso.

A escolha de estudar as ervilhas teve sucesso principalmente por causa da sua alta taxa reprodutiva. Mendel estudou a herança em características diferentes das ervilhas, como a cor da flor e a altura. Ele cultivou as ervilhas até que as imagens fossem puras, depois de fazer o cruzamento por diversas gerações.

Ao observar geração após geração, ele encontrou padrões de herança que eram semelhantes a todas as características que ele tinha estudado anteriormente. Ele chamou as características que são expressas de dominantes, e chamou de recessivo as características que eram invisíveis, ou seja, não eram mostradas.

A primeira lei foi chamada de “lei do monoibridismo”, no qual retrata os fatores dominantes e recessivas. Essa lei determina que cada característica é determinada por dois fatores que são separados na formação dos gametas. A segunda lei foi chamada de “lei da recombinação ou da segregação independente”, que estabelece os fatores para duas ou mais características se distribuem independentemente durante a formação dos gametas e se combinam. O monge foi capaz de reconhecer a segregação independente, ocasionando o surgimento da genética moderna. Apesar da importância das suas descobertas, seu reconhecimento foi tardio e suas obras foram ignoradas até o século XX.

Mendel escreveu obras como “Experimentos em hibridação de plantas” e “Hibridação de plantas antes de Mendel”.

Mas por qual motivo as leis de Mendel são importantes? Além de ser possível entender a herança geneticamente, as leis ajudaram a entender e explicar algumas doenças, tais como:

  1. Fibrose cística: é uma doença genética letal caracterizada por infecções crônicas e problemas no pulmão, ocasionando a danificação do sistema digestivo e a danificação dos pulmões. É uma doença autossômica recessiva.
  2. Anemia falciforme: é ocasionada por um grupo de distúrbios hereditários no qual os glóbulos vermelhos assumem formato de foice, por isso o nome. As células morrem prematuras causando falta de glóbulos vermelhos saudáveis. É uma doença recessiva, exigindo que seja transmitida pelo pai e pela mãe.
  3. Albinismo: é uma anomalia genética caracterizada pela ausência total ou parcial de pigmentação que é relacionada à produção de melanina. É uma doença recessiva.