covid-19
(Créditos da imagem: Freepik Premium)

Algumas imagens de médicos e enfermeiros no chão, em posição fetal tentando processar o sofrimento que veem a todo momento viralizaram nas redes. Apesar da Covid-19 não ser uma doença muito grave na maior parte dos casos, é uma doença que se espalha muito — de forma exponencial —, e isso que leva a um número de óbitos tão alto. Esse fato vai minando os profissionais mais importantes para o enfrentamento da pandemia.

Um estudo publicado nos últimos dias pela Fundação Getúlio Vargas, com 1456 profissionais da área da saúde, entre médicos, enfermeiros, agentes de saúde, e outros da área, de todo o território nacional, constatou que eles de fato não se sentem preparados para essa situação: mais de 60% deu essa resposta. Mais de 70% ainda diz que não recebe suporte dos cargos mais altos hierarquicamente.

Podemos entender essa resposta quando olhamos para a forma como a situação está sendo enfrentada. Menos da metade dos profissionais afirmam ter recebido EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) apropriados. A situação é pior entre os  Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE); nestes grupos, apenas 20% dizem ter recebido os EPIs, e quase 90% dizem não ter recebido treinamento.

Quanto a distribuição dos EPIs por região, a regiões que se demonstram mais carentes, são as regiões norte e nordeste onde cerca de 80% dos profissionais relatam não ter recebido equipamentos adequados. Nas regiões centro-oeste, sul e sudeste, essas taxas permanecem na casa dos 50%. 

Quanto a percepção de apoio pelos governos, 67% dos profissionais disse não receber apoio suficiente do governo federal, 29,67% disse receber e 3% não soube responder. Para o governo estadual, esses percentuais foram, respectivamente, de 50,89%, 44,44% e 4,67%. Para o governo municipal, 56,05% disse não receber apoio, 40, 45 disse receber e 3,5% não soube responder. 

O relatório, que você pode ler clicando aqui, ainda finaliza com uma série de recomendações para as autoridades, entre elas a distribuição de EPIs, o treinamento adequado dos profissionais para enfrentar situações como essas, maior atenção aos agentes e distribuição de material informativo a fim de combater fake news.

Referência:

  1. FGV. “A pandemia de covid-19 e os profissionais de saúde pública no Brasil”. Acesso em: 27 mai. 2020.
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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pela divulgação científica. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente curso Física na UFScar e escrevo para o Ciencianautas.