Júpiter fotografado pela sonda Juno. (Créditos da imagem: NASA/JPL/SWRI/MSSS/David Marriott).

A magnetosfera de Júpiter não é apenas muito diferente da magnetosfera da Terra, mas também de todos os outros planetas do Sistema Solar.

Os cientistas tinham evidências sugerindo que o campo magnético de Júpiter era peculiar, mas uma nova análise, publicada na Nature, mostra quão complexo esse campo magnético realmente é. O planeta tem o dipolo padrão, com as linhas que conectam o polo norte e o polo sul. Mas também é muito mais estranho. Há uma longa faixa magnética no Hemisfério Norte e também uma grande região circular no sul que a equipe apelidou de “grande mancha azul. No entanto, o local não é realmente azul: o nome surgiu a partir da codificação de cores dos campos magnéticos, vermelho para o norte e azul para o sul (assim como nos ímãs de brinquedo).

As estruturas não dipolares são muito diferentes das da Terra. Em nosso planeta, as regiões não dipolares estão distribuídas uniformemente, mas em Júpiter elas estão presentes, principalmente, no Hemisfério Norte. Embora não possa sondar o núcleo do planeta, a sonda Juno foi capaz de determinar que a faixa do Hemisfério Norte se torna mais estreita com a profundidade, sugerindo onde a região de origem está localizada.

“A principal surpresa foi que o campo de Júpiter é simples em um hemisfério, mas muito complicado no outro”, disse a principal autora do estudo, Kimberly Moore, à Newsweek. “Nenhum dos modelos existentes previa um campo como esse.

“Também ficamos surpresos ao saber que a ‘grande mancha azul’ é uma característica singular no campo. Quando a observamos pela primeira vez na primeira órbita da sonda Juno, pensamos que haveria outras semelhantes, mas não é esse o caso”, acrescentou a pesquisadora.

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A causa do peculiar campo magnético não é clara. Os cientistas têm indícios de que o núcleo de Júpiter seja feito de hidrogênio metálico, um estado peculiar onde o gás comum se comporta como um condutor elétrico. A equipe sugere que o núcleo possa ter camadas, com uma camada superior feita de hidrogênio metálico puro e uma camada central onde rochas e gelo são dissolvidos no hidrogênio, assim como o sal é dissolvido na água do mar. Há também movimentos dentro do interior do planeta que devem ser levados em conta.

A equipe acredita que existem maneiras de entender o que realmente acontece dentro de Júpiter. Quando a missão Juno terminar, em julho de 2021, a espaçonave terá feito 34 sobrevoos completos sobre o planeta. Isso provavelmente nos dará dados suficientes para descobrir o que potencializa o estranho campo magnético do gigante gasoso.

Adaptado de Alfredo Carpineti para o IFLScience.
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 17 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

1 comentário

  1. Interessante matéria.. a uns dias atrás vi um documentário de Júpiter, das descobertas atualizadas da sonda Juno.. e os cientistas ficaram assombrados, pois perceberam que ele se parece mais com uma estrela do que com um planeta…

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