(Créditos da imagem: RCP Brasil/Reprodução).

A Terra é o berço natal de nossa espécie e, ao que se saiba, é o nosso único lar. Quando nossos números eram pequenos e a nossa tecnologia fraca, não tínhamos poderes para influenciar o meio ambiente do mundo. Mas hoje, de repente, quase sem ninguém perceber, os nossos números se tornaram imensos e a nossa tecnologia adquiriu poderes enormes, até terríveis. Intencionalmente ou inadvertidamente, somos agora capazes de provocar mudanças devastadoras no meio ambiente global — um meio ambiente a que nós e todos os outros seres com os quais partilhamos a Terra meticulosa e refinadamente adaptados.

Somos agora ameaçados por alterações ambientais autoinfligidas em rápido processo de aceleração, cujas consequências biológicas e ecológicas de longo prazo infelizmente ainda ignoramos — a diminuição da camada de ozônio, um aquecimento global sem precedentes nos últimos 150 milênios, a destruição de um acre de floresta a cada segundo, a rápida extinção de espécies e a perspectiva de uma guerra nuclear global que piora em risco a maioria da população da Terra. É possível que haja outros desses perigos que, em nossa ignorância, ainda não percebemos. Individual e cumulativamente, eles representam uma armadilha para a espécie humana, uma cilada que armamos para nós mesmos. Por mais elevadas e cheias de princípios (ou ingênuos e míopes) que sejam as justificativas para as atividades que provocaram esses perigos, eles agora, isoladamente e em conjunto, ameaçam a nossa espécie e muitas outras. Estamos perto de cometer — muitos diriam que já estamos cometendo — o que em linguagem religiosa é às vezes chamado de Crime contra a Criação.

Pela sua própria natureza, esses ataques ao meio ambiente não foram causados por um único grupo político ou por uma única geração. Intrinsecamente, abrangem muitas nações, gerações e ideologias. O mesmo aconteceu com todas as soluções concebíveis. A saída dessa armadilha requer uma perspectiva que abranja os povos do planeta e todas as gerações futuras.

Em problemas dessa magnitude, e em solução que exigem uma perspectiva tão ampla, deve-se reconhecer desde do início uma dimensão não só científica, como religiosa. Cientes de nossa responsabilidade comum, nós, cientistas — muitos empenhados em combater a crise ambiental —, pedimos insistentemente que a comunidade religiosa do mundo se comprometa, com palavras e ações, e com toda a audácia requerida, a preservar o meio ambiente da Terra.

Alguns dos atenuantes a curto prazo desses perigos — como uso mais eficiente da energia, a rápida proibição dos clorofluorcarbonetos ou reduções modestas a nos arsenais nucleares — são relativamente fáceis e em algum nível já estão sendo adotados. Mas outras medidas mais efetivas, de mais  longo alcance e mais longo prazo, vão enfrentar inércia, negação e resistência de muitas partes. Nessa categoria estão conversão de uma economia dependentes dos combustíveis fósseis para uma economia de energia não poluente, uma reversão rápida e continuada da corrida de armas nucleares, bem como uma parada voluntária no crescimento da população mundial — sem o que muitas das outras medidas para preservar o meio ambiente serão anuladas.

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Assim como nas questões da paz, dos direitos humanos e da justiça social, as instituições religiosas também podem exercer uma forte influência nesse caso, encorajando iniciativas nacionais e internacionais nos setores públicos e privados, bem como nas diversas áreas do comércio, educação, cultura, e meios de comunicações de massa.

A crise ambiental requer mudanças radicais, não só política e pública, mas também no comportamento individual. O registro histórico deixa claro que o ensino, o exemplo e a liderança religiosos são poderosamente capazes de influenciar a conduta e os compromissos individuais.

Como cientistas, muitos de nós tivemos profundas experiências de temor e reverência diante o Universo. Compreendemos que aquilo que é considerado sagrado tem mais probabilidade de ser tratado com amor e respeito. Os esforços para salvaguardar e proteger o meio ambiente precisam ser incutidos com uma visão de sagrado. Ao mesmo tempo, é necessária uma compreensão muito mais ampla e mais profunda da ciência e tecnologia. Se não compreendemos o problema, é improvável que sejamos capazes de corrigi-lo. Assim, há um papel vital tanto para a religião como para a ciência.

Sabemos que o bem-estar de nosso ambiente planetário já é uma fonte de profunda preocupação nos seus concelhos e consagrações. Esperemos que este Apelo estimule um espírito de causa comum e ação conjunta que ajude a preservar a Terra.

Fonte:Bilhões e Bilhões
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 17 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

1 comentário

  1. Giovane Almeida,
    Parabéns pela divulgação desse profundo e sábio texto, espero que a raça Humana, esteja sempre em Alerta, essa casa ou lar não é só nossa, é de todos os seres que habitam e alberga aqui, foi ou estar emprestada pelo Ser Maior e Criador, o homem em Sua Arrogância se diz dono e destrói tudo, se dando o direito e a presunção de ser dono, a humildade falta em nosso Ser, não somos melhores ou piores, estamos aqui para aprender, dividir e somar, principalmente, ajudar, evoluir, e retornamos para casa, e se for necessário, voltamos para um novo aprendizado aqui, ou em outro habitat.
    Só quero agradecer à você pela brilhante iniciativa de nis alertar!

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