(Créditos da imagem: Reprodução).

A alimentação humana é uma das mais diversificadas do reino animal, estamos preparados para comer frutas, sementes, vegetais, alguns tipos de fungos e, é claro, carne.

Mas afinal, por que nós podemos ingerir carne? A resposta científica é bem simples: somos animais onívoros. Ou seja, nosso organismo está preparado para comer de tudo. De acordo com o professor Walter Neves, antropólogo físico e maior especialista brasileiro em homens pré-históricos, o homem jamais foi herbívoro. Essa evidência, de acordo com o professor, carregamos até hoje em nossos corpos: dentes pequenos e um sistema digestivo curto, que são algumas das características de animais onívoros.

Animais que se alimentam apenas de plantas precisam de dentes muito maiores, ideais para triturar melhor a comida e garantir a absorção dos nutrientes. Além disso, herbívoros também precisam de uma barriga muito maior, para abrigar um estômago e intestinos também muito maiores. Essa característica também é essencial para garantir que o alimento fique mais tempo no trato digestivo e, dessa forma, aumente a absorção dos nutrientes. Um exemplo citado pelo professor é o gorila, além de grandes molares, este animal possui uma barriga imensa.

Se olharmos para outro primata, o chimpanzé, temos grande proximidade com seu perfil alimentar. Seu cardápio é composto por frutas, insetos, pequenos roedores, lagartos e vegetais.

Aliás, era basicamente assim nossa alimentação em um passado distante. Neves explica que as coisas mudaram há mais ou menos 2,5 milhões de anos, quando nossos ancestrais descobriram como fabricar ferramentas e começaram a caçar grandes mamíferos.

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O resultado foi mais carne na “mesa”, elevando os níveis de ingestão de proteína, que foram responsáveis pelo desenvolvimento do cérebro. Porém, a ingestão de sementes, frutas, raízes e outros vegetais não foi excluída. Por isso mantemos até os dias atuais as características onívoras.

Por que gostamos tanto de carne?

Embora existam milhões de pessoas no mundo que não comam carne — ou um determinado tipo de carne — devido a questões ideológicas, filosóficas ou religiosas, não podemos negar que a carne continua sendo um dos principais alimentos humanos.

E os dados sobre a criação dos principais animais voltados para o abate de 2016 corroboram com tal informação: 1,35 bilhão de cabeças de gado (bois e vacas);

  • 170 milhões de cabeças de búfalos;
  • 930 milhões de porcos;
  • 1,7 bilhão de ovinos;
  • 1,4 bilhão de patos, gansos e perus;
  • 14,85 bilhões de frangos e galinhas.

Mas, se somos onívoros, de onde vem esse impulso por comer carne? De acordo com diferentes pesquisadores, a preferência que grande parte da população de hoje tem pela ingestão de proteína tem sua origem na última Era Glacial (há cerca de 150 mil anos).

Com a maioria das plantas morrendo ou tendo seu território drasticamente diminuído, a caça se tornou essencial, a ingestão de carne e gordura animal se tornou a base de sua alimentação.

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(Créditos da imagem: Reprodução).

Precisamos de carne para viver?

Embora seja uma excelente fonte alimentar, hoje não dependemos da ingestão de carne para garantir uma boa nutrição. Graças aos avanços científicos e das melhorias no manejo no cultivo de diferentes plantas, podemos retirar a proteína da qual precisamos de uma alimentação balanceada, que pode ou não ter produtos de origem animal.

Dietas vegetarianas, quando adequadas, podem fornecer tanta proteína quanto dietas onívoras.

O ser humano já foi vegetariano em algum momento?

Existe um debate muito intenso a respeito desse assunto, mas os indícios são bastantes claros: sempre fomos animais onívoros.

No entanto, existe o registro de um hominídeo herbívoro que coexistiu com nossos ancestrais. Esse “parente distante”, o Paranthropus, viveu em um período de 2,5 a 1,2 milhão de anos, e assim como os gorilas, se alimentava apenas de plantas.

A hipótese mais provável para sua extinção foi justamente sua dieta restritiva. Mudanças climáticas e redução de seu território pode ter sido o principal fator que o atrapalhou na competição com nossos ancestrais onívoros.

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Deveríamos parar de comer carne?

Para a comunidade científica, não é necessário abandonar completamente o consumo de carne, mas diminuí-lo. Além do sofrimento animal, argumento que tem ganhado cada vez mais força em todo o mundo, as criações em larga escala causam um grande impacto ambiental. Rebanhos e granjas no mundo inteiro consomem uma enorme quantia de água, seja de forma direta ou indireta. Além disso, o desmatamento para o aumento das pastagens, descarte de dejetos e carcaças e o uso de antibióticos para aumentar a produtividade também são um risco para o planeta.

Só para se ter uma ideia, para a produção de um quilo de carne bovina são necessários 43 mil litros de água, que passa desde a rega da pastagem ou da soja utilizada na ração do animal, até a quantidade que o gado consome. Já para a produção de um quilo de vegetais, a média é de 200 litros de água.

Diminuir o consumo é a saída apontada até que um novo avanço ocorra: a carne de laboratório.

Apesar de já existir e oferecer os nutrientes, sabor e aparência idênticos, a carne cultivada in vitro ainda é muito cara. O desafio das equipes do mundo inteiro envolvidas nesse projeto é justamente o de baratear o processo para que ele possa ser reproduzido em escala industrial. Um terço dos consumidores norte-americanos já declaram que consumiram o produto.

(Créditos da imagem: Reprodução).
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Apaixonada por conhecimento científico, coisas estranhas, séries, desenhos e filmes de terror. Criadora de conteúdo para web desde 2009, escritora nas horas vagas e estudante de Engenharia de Produção.

1 comentário

  1. Oi, você me informar as fontes de todas as informações que foram usadas para escrever esse artigo. Fico Grato. Excelente escrita e muito esclarecedor

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