O sistema em teste em uma câmara de vácuo. (Créditos da imagem: NASA).

Um banheiro de 23 milhões de dólares pode parecer o sonho de Homer Simpson – ou de qualquer pessoa comum. No entanto, é apenas o novo módulo da Estação Espacial Internacional (ISS). Na noite da última sexta-feira, após um adiamento por problemas no momento do lançamento, um foguete da Northrop Grumman conseguiu lançar a carga com sucesso. Na segunda-feira a carga Cygnus já deve chegar à estação. Mas qual a necessidade de um banheiro tão caro?

O espaço é um local muito complicado. Ir ao banheiro não é tão simples na microgravidade quanto na Terra. Portanto, necessita-se de algo mais complicado do que um vaso sanitário. O Sistema Universal de Gerenciamento de Resíduos (UWMS, na sigla em inglês), traz as ferramentas necessárias para o serviço.

No entanto, antigamente esses banheiros espaciais eram grandes, pesados e caros de ser construídos. Para lançar, era ainda mais caro e difícil, já que havia a necessidade de foguetes muito grandes, muito combustível e uma logística impecável. Portanto, a NASA precisava urgentemente otimizar esses banheiros.

Um banheiro de 23 milhões de dólares não é caro

Embora pareça um valor absurdo, 23 milhões não é um valor caro, em termos de equipamentos para o espaço. A exploração espacial é muito difícil, e demanda muita tecnologia e mão de obra. Portanto, quando falamos de espaço, estamos nos referindo a outro patamar, onde os valores ultrapassam facilmente os bilhões de dólares. Embora pareça um gasto desnecessário, devemos lembrar que a ciência retorna o valor investido com lucro considerável. 

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O novo modelo, além de mais barato, é 65% menor e 40% mais leve do que os modelos anteriores de vasos sanitários da agência. Além disso, eles tornaram o vaso sanitário mais eficiente, em termos de gastos energéticos e mais confortáveis para os astronautas, que passam meses no pleno desconforto do espaço. 

Este é o coração do sistema de gerenciamento de resíduos. (Créditos da imagem: NASA).

“Você pode imaginar que otimizá-los pode ajudar de várias maneiras, porque espaço e energia são muito valiosos em uma espaçonave”, disse Melissa McKinley, gerente do projeto na NASA em uma coletiva de imprensa há alguns dias, conforme do The Verge

No espaço, os astronautas não estão na ausência da gravidade, mas estão em quedas livres, o que gera o efeito da microgravidade. Portanto, quaisquer necessidades fisiológicas feitas no espaço necessitam da sucção, para que os resíduos humanos não fiquem flutuando pela nave. A diferença do novo banheiro está na otimização, pois o princípio é exatamente o mesmo dos banheiro anteriores.

As mudanças

“O design do funil foi completamente remodelado para acomodar melhor a anatomia feminina”, explica McKinley sobre as novas alterações pensadas para o conforto dos astronautas – considerando também as mulheres, antes ainda mais ignoradas do que os homens na projeção de trajes e equipamentos. Eles também acoplaram um sistema de ventilação no módulo.

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Eles também precisaram fazer algumas mudanças no sistema de reciclagem. “O ácido que usamos como pré-tratamento é muito forte”, disse Jim Fuller, gerente de projeto do UWMS na Collins Aerospace, empresa que ajudou a desenvolver o banheiro. “É tão forte que há apenas um punhado de metais que a NASA conhece e que podem resistir a esse pré-tratamento por um longo período de tempo”. Com a impressão 3D, os engenheiros conseguiram deixar esses metais mais leves.

Embora diversas mudanças para o conforto tenham sido feitas e mesmo com a instalação de um sistema de ventilação, o mal cheiro ainda é um problema no banheiro. 

“Se você quiser recriar aquele cheiro de nave espacial usado, pegue algumas fraldas sujas, algumas embalagens de comida para microondas, um saco de enjôo usado e algumas toalhas suadas, coloque-as em uma lata de lixo de metal tradicional e deixe assar no sol de verão por 10 dias. Então abra a criança e respire fundo”, disse o engenheiro Jason Hutt em um tweet sobre o novo banheiro.

Com informações de Business Insider e The Verge.

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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pela divulgação científica. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente curso Física na UFScar e escrevo para o Ciencianautas.