(Créditos da imagem: Reprodução).

Natasha Romanzoti | HypeScience — Não é porque uma pessoa é religiosa que ela não acredita na ciência e em evidências científicas. Inclusive, um novo estudo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriu que pessoas religiosas não só não exibem um viés contra o pensamento científico, como o entendem tão bem quanto pessoas não religiosas.

O que acontece, no entanto, é que elas têm um viés em favor de explicações sobrenaturais em relação a pessoas não religiosas — o que até faz sentido, uma vez que a maioria das religiões envolve crenças em eventos sem explicação natural.

Os pesquisadores pediram aos participantes do estudo para avaliar quatro cenários diferentes girando em torno de uma situação semelhante: um grupo de pastores realiza uma terapia da reza por uma semana e consegue curar um paciente com uma doença grave, ou um grupo de médicos realiza uma terapia médica por uma semana e consegue curar um paciente com uma doença grave.

Publicidade

Nos dois primeiros cenários, os cientistas perguntaram aos indivíduos quantos casos de sucesso eles precisariam ver para acreditar na terapia (da reza ou médica). Nos dois últimos cenários, quantos casos falhos eles precisariam ver para não acreditar na terapia (da reza ou médica).

Essas variações são importantes porque a ciência não trabalha somente com casos de sucesso; ao testar uma nova terapia, por exemplo, os pesquisadores não querem saber apenas quantos pacientes se recuperaram, mas também quantos não melhoraram e por quê.

Publicidade

Conforme já havia sido observado em estudos anteriores, pessoas religiosas e não religiosas exigiram o mesmo rigor para acreditar na terapia médica. No geral, precisavam do mesmo número de casos de sucesso e de falha para acreditar ou não na sua eficácia, o que significa que os religiosos não possuem um viés contra o pensamento científico.

A surpresa apareceu no cenário da terapia da reza de sucesso: as pessoas não religiosas precisaram do mesmo número de casos que as religiosas para aceitar a eficácia do tratamento. De novo, sem viés.

De acordo com os pesquisadores, isso pode ser devido ao fato de que o estudo foi conduzido nos EUA, um país bastante religioso. Mesmo pessoas não religiosas muitas vezes cresceram em lares religiosos, o que pode torná-las mais simpáticas a causas sobrenaturais.

A diferença veio mesmo foi no cenário da terapia da reza falha. Nesse caso, pessoas religiosas trataram a terapia alternativa da mesma maneira que a médica, exigindo o mesmo número de tentativas falhas antes de rejeitá-la. Pessoas não religiosas, por sua vez, precisaram de menos falhas na terapia da reza do que na médica para taxá-la como ineficaz.

O único viés observado no estudo, então, foi em pessoas religiosas a favor do sobrenatural. Isso significa que, enquanto todo mundo avalia causas naturais da mesma forma, os religiosos avaliam causas sobrenaturais de forma diferente — são mais crentes, digamos.

Publicidade

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Social Psychological and Personality Science. [PsychologyToday].

Este texto foi originalmente publicado por HypeScience. Leia o original aqui.
Compartilhe:
Ciencianautas
O Ciencianautas tem como objetivo popularizar a ciência de forma que ela seja acessível para todos.

Deixe seu comentário!

Por favor, digite o seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui.