Imagem composta por uma fotografia de cores reais de Saturno, registrado pela Cassini em 2016, sobreposta com uma representação de cores falsas das auroras ultravioletas no hemisfério norte. (Créditos da imagem: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute/A. Bader).

Os pesquisadores ainda estão ocupados analisando alguns dos dados finais enviados pela sonda Cassini, que estava em órbita em torno de Saturno há mais de 13 anos até o final de sua missão, em setembro de 2017.

Para a última etapa de sua jornada, a Cassini foi colocada em uma órbita particularmente ousada, passando entre Saturno e seus anéis, o que a aproximou mais de Saturno do que nunca. Isso permitiu aos cientistas obter imagens das auroras ultravioletas de Saturno em resolução sem precedentes.

As novas observações foram descritas em dois novos estudos publicados na Geophysical Research Letters e JGR: Space Physics.

As auroras de Saturno são geradas pela interação do vento solar, um fluxo de partículas energéticas emitidas pelo Sol, com o campo magnético de rotação rápida de Saturno. Eles estão localizados nas regiões polares do planeta e são conhecidos por serem altamente dinâmicos, frequentemente pulsantes e intermitentes, à medida que diferentes processos dinâmicos ocorrem no ambiente de plasma do planeta.

“Surpreendentemente, muitas questões que giram em torno das auroras de Saturno permanecem sem resposta, mesmo após o excelente sucesso da missão Cassini”, disse Alexander Bader, principal autor da pesquisa. “Este último conjunto de imagens em close-up nos oferece vistas únicas e altamente detalhadas das estruturas de pequena escala que não puderam ser discernidas em observações anteriores da Cassini ou do Telescópio Espacial Hubble. Temos algumas ideias sobre qual poderia ser sua origem, mas ainda há muita análise a ser feita”, completou.

Somente as imagens de satélite dificilmente serão suficientes para desvendar os mistérios da aurora — as partículas energéticas que causam as luzes brilhantes ao redor dos polos de Saturno se originam muito longe da superfície do planeta, onde as linhas do campo magnético se torcem e as nuvens de plasma interagem umas com as outras. Quando localizado na região correta, a Cassini às vezes era incorporada ao fluxo de partículas que ligava as auroras à magnetosfera.

A primeira análise das medições de partículas da espaçonave registradas durante esses tempos mostrou que as auroras de Saturno, como as de Júpiter, são geradas por partículas muito mais energéticas que as da Terra. No entanto, os mecanismos físicos subjacentes parecem mostrar semelhanças entre os três.

Embora a missão da Cassini tenha terminado, os dados fornecidos continuam cheios de surpresas e continuarão a ajudar os pesquisadores a entender o funcionamento das auroras gigantes do planeta.

Referências:

  1. BADER, A. et al. “The morphology of Saturn’s aurorae observed during the Cassini Grand Finale”, Geophysical Research Letters, 2019. Acesso em: 17 jan. 2020.
  2. BADER, A. et al. “Energetic Particle Signatures Above Saturn’s Aurorae”, JGR: Space Physics, 2019. Acesso em: 17 jan. 2020.