(Créditos da imagem: ktsdesign/Depositphotos).

Pesquisadores criaram glóbulos vermelhos sintéticos (RBCs) que possuem todas as propriedades úteis dos reais, além de novas habilidades. Essas novas células podem transportar oxigênio ou medicamentos pelo corpo, detectar toxinas e outras tarefas.

De Michael Irving para o New Atlas.

Os glóbulos vermelhos desempenham uma função vital para o nosso corpo, pois eles são os encarregados de transportar o oxigênio dos pulmões para todos os tecidos. Eles fazem isso por meio das hemoglobinas, que usam proteínas contendo ferro que se ligam ao oxigênio. Os RBCs também têm uma variedade de recursos de segurança que lhes permitem fazer seu trabalho corretamente. Eles podem se espremer e se esticar para passar por pequenos capilares sanguíneos e podem circular por um longo tempo.

Ao tentar criar versões sintéticas dos glóbulos vermelhos, os cientistas tiveram alguns problemas em imitar todas essas propriedades. Agora, pesquisadores da Universidade do Novo México, dos Laboratórios Nacionais de Sandia e da Universidade de Tecnologia do Sul da China criaram RBCs sintéticos que podem fazer tudo isso e muito mais.

Para produzir as células sintéticas, os pesquisadores usaram hemácias humanas doadas. Elas foram cobertas com uma fina camada de sílica, e depois por camadas de polímeros com cargas positivas e negativas. A sílica foi então gravada nas células e, finalmente, a superfície foi revestida com membranas naturais.

Glóbulo vermelho artificial. (Créditos da imagem: American Chemical Society).

O resultado final são glóbulos vermelhos artificiais que têm tamanho, forma, carga e superfície semelhantes aos reais. A equipe mostrou que esses glóbulos vermelhos sintéticos eram capazes de se deformar o suficiente para atravessar pequenas lacunas nos capilares sanguíneos. Em testes com ratos, as células circularam por mais de 48 horas e a equipe não detectou efeitos colaterais tóxicos.

Em outros testes, a equipe mostrou várias outras habilidades que esses glóbulos vermelhos sintéticos podem realizar. Eles transportaram com sucesso diferentes cargas de hemoglobina, medicamentos anticancerígenos, sensores de toxinas e nanopartículas magnéticas. Cada uma delas pode representar um uso potencial diferente para as células — transportando oxigênio, fornecendo medicamentos, detectando toxinas e permitindo manipulação externa, respectivamente.

A equipe planeja continuar pesquisando e testando as células com a esperança de prepará-las para testes em humanos.

A pesquisa foi publicada na revista ACS Nano.