(Créditos da imagem: Pensamento Quadrado).

Hoje há uma grande preocupação em como devemos educar as crianças e os jovens das nossas sociedades para estarem adaptados satisfatoriamente ao modelo econômico do século XXI, e também para que tenham a percepção de identidade cultural e conservem suas raízes culturais, conciliando tudo isso com o crescente processo de globalização.

Porém a problemática é que estamos, enquanto sociedades, educando o futuro das próximas gerações com um sistema educacional estruturado para a cultura intelectual do iluminismo, que é voltada por consequência para as circunstâncias econômicas da revolução industrial, uma época em que os mais diversos aspectos do sistema de ensino adotado hoje eram utópicos, como o ideal revolucionário de ensino público para todos sustentado por impostos.

Desta forma, a própria sociedade aliena os jovens, induzindo-os à crença de que deve existir um padrão acadêmico, uma hierarquia, que reja as importâncias dos setores do mercado de trabalho como um todo, impondo assim uma marginalização dos seus interesses, virtudes e valores pessoais e culturais específicos; esse modelo educacional suprime o despertar do gênio criativo dentro da personalidade singular de cada indivíduo.

Ao negligenciar a pluralidade da capacidade humana, estamos anestesiando as mentes dos jovens, empurrando-lhes toneladas de todo o acervo didático já coletado na história da humanidade enquanto inibimos que desenvolvam suas potencialidades específicas, que desfrutem das suas aptidões naturais. Fazendo então com que se sintam menos virtuosos e capazes simplesmente por não deterem muito desenvolvidas as inteligências mais valorizadas no mercado de trabalho, como a lógico-matemática e a interpessoal.

Esse processo fomenta a supressão e desvalorização, por parte da sociedade, das inteligências emocional, cinestésica, espacial, intrapessoal, naturalista, existencial, entre outras. Uma reforma no paradigma educacional é necessária, conceitos como transdisciplinaridade, pensamento complexo, inteligências múltiplas, sinergia e o reconhecimento do saber como uno e indissociável nunca se fizeram tão necessários como agora, na crise da educação que enfrentamos.

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"Parte da entropia do universo, ainda assim, singular." — Acadêmico de Ciência da Computação pela Universidade Federal de Sergipe, com foco em inteligência artificial e aplicações de aprendizado de máquina à astrofísica estelar. Cientista, pesquisador, livre-pensador, escritor crítico, divulgador científico, cosmopolita, transhumanista, cético, humanista secular, hedonista, neodarwinista, social democrata libertário, ecológico, astrônomo amador e marombeiro frango.

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