Museu Nacional UFRJ. (Créditos da imagem: Wikimedia Commons).

No último domingo (2), a internet inteira soube e lamentou sobre o incêndio no Museu Nacional, que destruiu quase todos os 20 milhões de itens do acervo.

O incêndio era questão de tempo, tendo em vista as péssimas condições de segurança em que se encontrava o prédio. Não havia nem sequer sprinklers — dispositivos que lançam água e são acionados ao detectar um incêndio —, lamentavelmente.

Há anos os funcionários alertavam sobre o prédio. Em 2004, o até então secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do estado do Rio de Janeiro, Wagner Victer, disse que “o museu vai pegar fogo. São fiações expostas, mal conservadas, alas com infiltrações, uma situação de total irresponsabilidade com o patrimônio histórico”.

Uma verba para medidas a fim de se evitar um incêndio haviam sido aprovadas, mas tardiamente, já que o fogo se iniciou antes das medidas serem tomadas.

Porém, abordando outro lado, lanço um questionamento: as pessoas, que lamentaram pelo incêndio, sabem a real importância de um museu? O Ciencianautas acha importante reforçar esta questão.

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O que um museu faz?

Um museu é um local para se expor coisas antigas — é o que a maior parte das pessoas pensam. Mas não é bem assim.

Uma universidade, por exemplo, não serve apenas para ensinar. O papel de uma universidade está também nas pesquisas científicas e, muitas vezes, na divulgação dessas pesquisas.

O caso dos museus é parecido. Usemos como exemplo o Museu Nacional.

Dos 20 milhões de itens lá catalogados, uma pequena — muito pequena — parte está exposta. Se sua função se reduzisse à exposição, por que não expor tudo?

Um museu se encarrega ainda de pesquisas científicas. Antropologia, botânica, arqueologia, entomologia. São diversas as áreas que ganham com essas pesquisas. No caso do Museu Nacional, até pesquisas no continente antártico eram desenvolvidas.

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Até aqui vimos a importância cultural, na exposição e científica, nas pesquisas de um museu. Ademais, temos a importância educacional.

Cursos de pós-graduação são existentes nessas instituições. Esses cursos são diretamente ligados com as pesquisas. Os laboratórios de museus, trabalhando incansavelmente, nos mostram o passado de diversos locais do mundo.

O Museu Nacional, por exemplo, trabalhava com línguas indígenas “perdidas”. Eles possuíam espécies de insetos, plantas e animais já extintos, além de fósseis. O departamento de antropologia nos ajudava a entender o dia-a-dia de diversos povos sul-americanos que já não existem.

Alguns pesquisadores possuíam décadas de trabalhos naquele local. É, sem dúvida, a maior perda material e intelectual de todas as instituições queimadas nos últimos anos. Por esse motivo a comoção com o incêndio foi tão grande.

A reconstrução do prédio já foi anunciada. Mas a perda de mais de um século de trabalho (como museu) nunca será recompensada. O acontecimento vale para aprender e se evitar que eventos assim aconteçam futuramente, com medidas de prevenção em outras instituições.

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Referências:

  1. PASSARINHO, Nathalia. “Museu Nacional: os alertas ignorados que anunciavam tragédia”; BBC. Acesso em: 04 set. 2018.
  2. Museu Nacional. “Guia de visitação do museu: o maior e mais antigo museu do Brasil”. Acesso em: 04 set. 2018
  3. Museu Nacional. “Pesquisa”. Acesso em: 04 set. 2018.
  4. Museu Nacional. “Pós-Graduação”. Acesso em: 04 set. 2018.
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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, pretendo seguir carreira no jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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