(Créditos da imagem: Amalia Bastos/Universidade de Auckland).

Diversos estudos comprovam como subestimamos a capacidade mental de animais não humanos: chimpanzés, golfinhos, polvos; a cada dia novas surpresas. A análise de probabilidade é uma capacidade que até então só havia sido detectada em humanos e em chimpanzés. Agora foi a vez da Kea (pronuncia-se Kia), ou Papagaio-da-Nova-Zelândia.

Chamado até mesmo de palhaço das montanhas, a pequena ave é conhecida pela sua notável personalidade, ao atormentar e roubar turistas, e há alguns anos já foi constatado até mesmo planejamento em seus roubos. São, ainda, um grande inimigo dos criadores de animais, pois chegam a atacar e se alimentar de animais vivos, como ovelhas.

Um estudo recente, publicado na Nature Communications, analisou a tomada de decisão do Kea, para ver se havia algum padrão, ou era aleatório. No total, foram realizados três experimentos.

No primeiro teste, os pesquisadores utilizaram dois recipientes transparentes, para que o interior fosse visível. Cada um com dois tipos de “moedas”. Os papagaios haviam sido treinados e sabiam que as pretas podiam ser trocadas por comida; a laranja não possuía nenhuma utilidade. No primeiro recipiente, havia uma predominância das pretas; no segundo, as laranjas. Os pesquisadores retiravam um token de cada recipiente, um com cada mão, e o Kea deveria escolher. A mão mais escolhida foi a do recipiente onde predominavam os tokens pretos, o que demonstrou a capacidade de analisar quantidades relativas.

O segundo teste utilizou a mesma lógica, mas desta vez, os pesquisadores adicionaram uma divisória no meio do recipiente. Dessa forma, só metade dos objetos eram acessíveis. Logo, as aves foram capazes de perceber isso, e levar em consideração na tomada de decisão. Agora, elas analisavam a quantidade relativa apenas da parte superior dos recipientes.

O terceiro teste analisou a observação dos papagaios. Dessa vez, os pesquisadores retiravam do recipiente com predominância de fichas pretas de forma distraída; no segundo, com poucas fichas recompensadoras, eles retiravam com bastante atenção, procurando. Inicialmente, nas primeiras tentativas, os pesquisadores notaram que as aves agiam como no primeiro teste. Depois, elas perceberam o que ocorria e passaram a escolher, predominantemente, a mão que foi retirada com atenção.

E claro, em todos os três, os cientista tomaram providências para que não se confundissem e constatassem erroneamente, os padrões. Apesar de parecer fora da realidade, essa capacidade é necessária, na busca pelos alimentos e na complexa hierarquia existente dentro dos grupos desses animais.

Um ponto interessante é o tamanho do cérebro de um papagaio, para essa capacidade. Os pesquisadores também constataram que não é necessária uma arquitetura cerebral como a humana para esse tipo de inteligência. Isso traz grandes implicações para o desenvolvimento de inteligência artificial com maiores capacidades.

Referência:

  1. BASTOS, Amália. TAYLOR, Alex. “Kea show three signatures of domain-general statistical inference”. Acesso em: 27 abr. 2020.