(Créditos da imagem: Reprodução).

Todos conhecemos os selos que servem como comprovação do pagamento do serviço postal. Há quem colecione esses selos, pois são, muitas vezes, temáticos. Os Correios vão lançar dois novos selos em homenagem a dois importantes cientistas brasileiros.

Um deles é o Cesar Lattes. O físico foi responsável pela descoberta que levou ao Nobel de Física de 1950, o méson pi, uma partícula subatômica. O prêmio, no entanto, foi injustamente concedido ao físico britânico Cecil Frank Powell. Em entrevista ao Jornal da Unicamp, em 2001, Lattes disse:

“Sabe por que eu não ganhei o prêmio Nobel? Em Chacaltaya, quando descobrimos o méson-pi, se publicou: Lattes, Occhialini [Giuseppe Occhialini] e Powell [Cecil Powell, físico britânico que ganhou o Nobel em 1950 por fotografar os núcleos atômicos e pela descoberta do méson]. E o Powell, malandro, pegou o prêmio Nobel pra ele. Occhialini e eu entramos pelo cano. Ele era mais conhecido, tinha o trabalho da produção de pósitrons em 1933. Depois fui para a Universidade da Califórnia, onde foi inaugurado o sincrociclotron em 1946. Já era 1948 e estava produzindo mésons desde que entrou em funcionamento em 46, tinha energia mais que suficiente. Então, detectamos, Garden [Eugene Garden] e eu, o méson artificial, alimentando a presunção de retirar do empirismo todas as pesquisas que se relacionassem com a libertação da energia nuclear. Sabe por que não nos deram o Nobel? Garden estava com beriliose, por ter trabalhado na bomba atômica durante a Guerra, e o berílio tira a elasticidade dos pulmões. Morreu pouco depois e não se dá o prêmio Nobel para morto. Me tungaram duas vezes.”

Além do notável trabalho na física nuclear, Lattes foi de grande importância na constituição da estrutura administrativa científica brasileira. Em 1946 criou o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Também exerceu grande importância na criação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O nome do físico batizou a plataforma Lattes, sistema utilizado para cadastrar os currículos de cientistas brasileiros.

A outra cientista homenageada com um selo é a engenheira agrônoma Johanna Döbereiner, pioneira nos estudos de biologia do solo. Johanna veio ao Brasil em 1948, após vários obstáculos enfrentados com os males da Segunda Guerra e pós-guerra, como perseguições.

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Apesar de nascida na República Checa, foi no Brasil que ela aprendeu a fazer ciência. Cientista mulher e imigrante numa era extremamente machista e xenofóbica, se destacou e recebeu inúmeros prêmios.

“A gente veio como imigrante, sabendo que escolheu o Brasil como pátria e não para mudar nada. Eu sabia que estava sem pátria e vim aqui procurar uma nova pátria. Então vim com mentalidade positiva”, disse em entrevista ao Jornal Globo em 1979.

Uma de suas maiores contribuições, foi o melhoramento da produção de soja com a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN). Seus estudos diminuíram nossa dependência de fertilizantes nitrogenados, economizando enormes quantias de dinheiro, propiciando-nos a produção de soja mais barata do mundo e fazendo uma produção mais ecologicamente sustentável.

Em entrevista à revista Veja, em 1996, Döbereiner disse que “na década de 60, ir contra a adubação química era quase um sacrilégio. Os fertilizantes estavam revolucionando a agricultura. Só muito tempo depois vi que nossas pesquisas não só permitiam uma produção mais barata como também mais ecológica, porque não poluía os rios nem o solo”.

A cientista foi indicada ao Nobel de Química em 1997.

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Serão impressos 360 mil selos, com o custo de R$1,85 cada. Os dois selos são interligados por um elemento em comum entre os dois cientistas: um átomo. As ilustrações dos selos buscam representar as contribuições dos dois para a ciência.

Os selos serão lançados ainda em dezembro de 2018: em São Paulo no dia 11, dia 14 no Rio de Janeiro e no dia 19 em Curitiba.

Você pode acessar o edital através deste link.

Referências:

  1. Embrapa. “Johanna Döbereiner: a cientista que revolucionou a agricultura”. Acesso em: 10 dez. 2018.
  2. Jornal da Ciência. “Correios lançam selos em homenagem a cientistas brasileiros”. Acesso em: 10 dez. 2018.
  3. Jornal da Unicamp. “Os físicos e a Bíblia”. Acesso em: 10 dez. 2018.
  4. Lattes; CNPq. “Césare Giulio Lattes”. Acesso em: 10 dez. 2018.
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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, pretendo seguir carreira no jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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