O estilo e talento de Carl Sagan para popularizar a ciência é inigualável. (Créditos da imagem: JPL/NASA).

Os cientistas sempre precisaram de tradutores. Nos velhos tempos, isso costumava significar de uma língua para outra, como quando os textos da ciência grega antiga eram transcritos para versões latinas ou árabes. Mas mesmo assim o problema existia de simplesmente comunicar as complexidades da ciência aos não-cientistas interessados. Enfrentar essa necessidade exigia uma habilidade para reformular o jargão e a profundidade matizada de especialistas em uma versão acessível ao público alfabetizado em geral. Muitos cientistas ao longo dos séculos, juntamente com alguns escritores não-cientistas, assumiram este desafio e se destacaram. Hoje, sem dúvidas, mais pessoas popularizam a ciência, mas ninguém como esses 10 maiores divulgadores da ciência de todos os tempos.

Johannes de Sacrobosco (1195 – 1244 ou 1256)

João de Sacrobosco (no português), também conhecido como John de Holywood, viveu na Escócia antes de se mudar para Paris. Em Paris, tornou-se um proeminente matemático e escreveu um livro fluente e popular sobre os novos números árabes. Ele também dominou astronomia (que naquela época era principalmente sobre matemática) e seu livro A Esfera se tornou um texto de astronomia padrão em toda a Europa por vários séculos. Sua data de morte não é conhecida com certeza devido a uma ambiguidade no fraseado em sua lápide.

Posidônio (135 a.C. – 51 a.C.)

Posidônio, da escola filosófica estoica, foi um escritor fluente cujos volumosos escritos estão, infelizmente, indisponíveis hoje — aparentemente havia uma falta de atenção adequada às estratégias de preservação no primeiro século a.C. Ele nasceu na Síria, mas seus pais eram gregos. Viajou extensamente em torno do mediterrâneo e era conhecido por muitos romanos proeminentes.

Publicidade

Posidônio articulou uma distinção entre os filósofos — que deveriam se concentrar nos princípios fundamentais da natureza — e os cientistas, que deveriam investigar problemas específicos. Ele foi o estudioso universal de sua época, escrevendo sobre cosmologia, astronomia, geografia, geologia e meteorologia, bem como filosofia moral e história.

Seu maior legado cresceu de um erro: seu cálculo da circunferência da Terra era consideravelmente pequeno, mas foi, no entanto, adotado pelo astrônomo-geógrafo Ptolomeu, cujos escritos levaram Colombo a deduzir que não seria tão longe navegar pelo oeste para alcançar a Índia.

Publicidade

Plínio, o Velho (23 – 79)

Plínio compôs a primeira obra enciclopédica de um único autor desenhada para descrever toda a natureza. Ele se via como uma espécie de Google de um só homem (embora tivesse ajudantes), tentando compilar todos os fatos que pudesse sobre o mundo. Cedo na vida ele era um militar, mas começou uma carreira de escritor, produzindo relatos de guerra e história militar. Mais tarde ele serviu o imperador romano Vespasiano em vários postos em todo o império. Eventualmente, ele montou sua História Natural, terminou pouco antes de sua morte em 79 d.C., perto de Pompeia, possivelmente por meio de inalações tóxicas da erupção do vulcão Vesúvio.

Mary Somerville (1780 – 1872)

Quando jovem, na Escócia, Mary foi autorizada a frequentar apenas um ano de escolaridade (quando tinha 10 anos). Inteligentemente, ela aprendeu sozinha e em segredo álgebra e geometria. Seu casamento lhe levou a Londres, onde continuou a ler sobre ciência e matemática apesar do desdém de seu marido, que desencorajava as mulheres de alcançar interesses intelectuais. Após a morte do marido, ela voltou para a Escócia e começou a estudar as obras de Newton e astronomia. Ela se casou novamente com um homem muito mais solidário, fez conhecimentos com alguns dos principais cientistas da Grã-Bretanha e começou a escrever livros muito bem sucedidos explicando a ciência atual ao público. Mary tornou-se tão famosa quanto a maioria dos cientistas sobre os quais ela escreveu e sempre teve grande consideração pela comunidade científica.

Bernard de Fontenelle (1657 – 1757)

Nascido em Ruão, na França, Fontenelle começou a carreira escrevendo peças de teatro e óperas, sendo essas um fracasso de bilheteria. Assim, ele passou a popularizar as ideias do grande filósofo-cientista francês René Descartes. Mais tarde, Fontenelle começou a escrever mais amplamente sobre a história e filosofia da ciência.

Seu trabalho ganhou o respeito da comunidade científica e ele foi nomeado secretário permanente da Academia Francesa de Ciências, e dessa posição ele escreveu extensivamente sobre a ciência para o resto de sua vida.

Sua obra mais famosa, Conversations on the Plurality of Worlds (Conversas sobre a Pluralidade dos Mundos, em tradução livre), foi uma obra-prima de popularização científica, sob a forma de um diálogo entre um homem e uma mulher contemplando as fronteiras da descoberta.

Publicidade

Henri Poincaré (1854 – 1912)

Um popularizador mais de matemática do que da ciência em geral, Poincaré foi um matemático eminente no final do século XIX e início do século XX. Seu trabalho chegou perto de antecipar a Teoria Especial da Relatividade de Einstein, e foi o pai fundador da matemática da Teoria do Caos. Ele descreveu os mais recentes desenvolvimentos matemáticos, em perspectiva histórica e filosófica, em uma série de livros que ainda estão  disponíveis em inglês hoje.

Stephen Jay Gould (1941 – 2002)

Um mestre do estilo narrativo que leva detalhes intrincados, Gould fez a paleontologia e a biologia evolutiva irresistivelmente atraente em numerosos livros e ensaios. Seu tom técnico, não-popular, sobre a Teoria da Evolução, publicado pouco antes de sua morte, é uma façanha subestimada; revelou a profundidade do raciocínio sutil de Darwin e como ele precisava ser modificado para se fundir com a compreensão moderna da seleção natural em múltiplos níveis, de genes a organismos para espécies.

George Gamow (1904 – 1968)

Um físico russo-americano malicioso conhecido por suas piadas e truques, Gamow fez grandes contribuições para a compreensão da radioatividade e foi uma figura importante nos primeiros dias da cosmologia do Big Bang. Mais tarde ele se voltou para a biologia, desempenhando um papel importante na compreensão inicial da genética molecular.

Ele também escreveu extensivamente para o público — a série de livros Sr. Tompkins sobre física moderna ainda estão entre os melhores para explicar a relatividade e a física quântica. O livro One Two Three… Infinity continua sendo um clássico sobre matemática e sua relação com várias ciências.

Carl Sagan (1934 – 1996)

Famoso pela série de TV Cosmos, Sagan escreveu vários livros populares e elegantes, defendendo o espírito científico como um antídoto para os fornecedores de superstição e irracionalidade.

Publicidade

Ninguém hoje tem a combinação de Sagan de consistência, estilo e talento para comunicar ciência, e ninguém articula a frase bilhões e bilhões melhor, embora muitos tenham tentado.

Isaac Asimov (1920 – 1992)

Mais conhecido por suas obras de ficção científica, Asimov era ainda mais prolífico como escritor de não-ficção científica, produzindo livros após livros que abrangem quase todos os campos da ciência, incluindo um dicionário biográfico, uma cronologia dos eventos científicos, desde os tempos antigos até o presente, e o guia completo para a ciência que registrou toda a história de toda a ciência em um grosso volume.

Os escritos de Asimov (ficção e não-ficção) influenciaram gerações de cientistas, e suas leis da robótica ainda servem de aviso perceptivo para os desenvolvedores de sistemas de inteligência artificial de hoje.

Adaptado de Tom Siegfried para o SpaceNews.

1 comentário

Deixe seu comentário!

Por favor, digite o seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui.