As nuvens de Júpiter rodam em padrões intrincados sobre o hemisfério norte do planeta. Esta vista foi registrada pela sonda Juno em 1º de abril de 2018. (Créditos da imagem: Caltech/SwRI/MSSS/Brian Swift/Seán Doran).

Uma pesquisa sugere que Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, esperou cerca de dois milhões de anos para ter seu surto inicial de crescimento.

Por Jumar Vicenth.

Uma equipe liderada por um pesquisador suíço descobriu que mundos com quilômetros de tamanho colidiram com o planeta gigante durante aquele tempo, gerando zonas de alta energia. Esse bombardeio dificultou a acumulação de moléculas de gás, forçando o planeta a crescer mais devagar.

O Sistema Solar tem cerca de 4,5 bilhões de anos, e a teoria mais popular da formação dos planetas diz que eles surgiram a partir de uma nuvem orbital de gás e poeira que circundava o jovem Sol. Com o tempo, o gás e a poeira se agruparam em pequenos mundos, gradualmente se agregando uns aos outros para formar os planetas.

Júpiter, no entanto, tem uma história mais complicada. Em um comunicado, o principal autor da pesquisa, Yann Alibert, astrofísico da Universidade de Berna, na Suíça, disse que é interessante como corpos menores ajudaram Júpiter a acumular massa, enquanto os corpos maiores colidiram com o planeta adicionando energia a ele, não massa.

Alibert disse que Júpiter cresceu rapidamente nos seus primeiros milhões de anos de formação, reunindo pedregulhos do tamanho de um centímetro, até chegar a possuir 20 vezes a massa da Terra.

No entanto, nos 2 milhões de anos seguintes o planeta sugou pequenos corpos maiores, com quilômetros de extensão, chamados de planetesimais. Como esses planetesimais eram maiores, eles colidiram com o planeta com maior energia e liberaram mais calor, retardando a formação de Júpiter. Então, quando Júpiter tinha 3 milhões de anos de idade, possuía 50 vezes a massa da Terra, e experimentava uma taxa de crescimento consideravelmente mais lenta.

Após essa fase, o planeta se expandiu rapidamente até as proporções atuais, que ultrapassam mais de 300 vezes a massa da Terra, através do acúmulo de gases, segundo a nova pesquisa.

A Universidade de Berna disse que esses novos dados combinam com um conjunto separado de resultados que uma outra equipe de pesquisadores coletou a partir de observações das composições de meteoritos, o estudo foi publicado ano passado na revista Proceedings of National Academy of Sciences. Essa pesquisa foi liderada por Thomas Kruijer, pesquisador da Universidade de Münster, na Alemanha, e do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia.

A equipe de Kruijer descobriu que os meteoritos estudados pareciam vir de dois “reservatórios” distintos que, cerca de 1 milhão de anos após a formação do Sistema, se formaram nas regiões interna e externa do Sistema Solar. A atração gravitacional de Júpiter, segundo os pesquisadores, é a razão pela qual o material do Sistema Solar externo, onde Júpiter e os gigantes gasosos residem, não consegue interagir com a parte interna do Sistema Solar, onde a Terra e outros planetas rochosos orbitam hoje.

A pesquisa mais antiga também sugeriu um atraso no crescimento de Júpiter, mas a equipe da Universidade de Berna estudou as informações em mais detalhes para descobrir o motivo. Esse mesmo atraso de crescimento pode ter ocorrido em Urano e Netuno, mas mais estudos serão necessários para confirmar a hipótese.

Um artigo baseado na nova pesquisa foi publicado na revista Nature Astronomy.