(Créditos da imagem: Reprodução).

Os canudos plásticos estão sendo proibidos pelo mundo desde que uma ONG de Seattle iniciou uma campanha contra eles. O movimento contra esses utensílios ganhou força quando, em 2015, um vídeo de uma tartaruga com um canudo em uma de suas narinas viralizou.

É fato que eles causam grande impacto na natureza, tendo em vista a enorme utilização. Apenas nos Estados Unidos, mais de 500 milhões de canudos são utilizados e descartados diariamente, segundo a Plastic Pollution Coalition.

A primeira grande cidade brasileira a proibí-los foi o Rio de Janeiro, em julho de 2018. Centenas de cidades pelo mundo já o proibiram e redes de fast food tomaram medidas para diminuir a utilização. Nos últimos dias, São Paulo também está prestes a fazer a proibição.

Um relatório alerta que até 2050, haverá mais plástico do que peixes nos oceanos. Mais de 8 milhões de toneladas de plástico vão para os oceanos todos os anos.

Com a decomposição do lixo, os microplásticos — pequenas partículas de plástico —, são liberados na água, sendo facilmente ingeridos pelos animais. Com o consumo de peixes e frutos-do-mar, consumimos também os microplásticos, que também estão em outros alimentos, bebidas, na água potável e até mesmo no ar.

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A poluição oceânica é um sério problema. Os oceanos abrigam a maior diversidade biológica do planeta. Um questionamento da polêmica, no entanto, está sendo pouco abordado. Os canudos são realmente o maior vilão dos oceanos?

Noventa por cento de todo o plástico dos oceanos vem de apenas 10 rios, oito dos quais estão na ásia e dois na áfrica (Indo, Amarelo, Hai, Ganges, Rio das Pérolas, Amur, Mekong, Nilo e Níger), locais que não são os maiores consumidores de canudos. Enquanto isso, os canudos representam apenas 4% do lixo plástico nos oceanos.

Dados nos indicam, portanto, que o problema vai muito além dos canudos. Diversas outras medidas devem ser tomadas, principalmente nas fontes de poluição desses dez rios. O plástico é utilizado em quase tudo: roupas, carros, casas, eletrodomésticos, móveis, etc.

Ao invés da proibição de um único utensílio, deve haver uma ampla campanha — em escalas mundiais —, para conscientizar as pessoas sobre o descarte correto de lixo.

Segundo a ONU, apenas 9% de todo o plástico produzido ao longo da história foi reciclado. Hoje a coleta para a reciclagem não está muito acima da média histórica — apenas 14%. Enquanto isso, em 2011, a Suécia, por exemplo, reciclou 53% do plástico produzido no ano. É fato que nem todo o plástico pode ser reciclado, mas a taxa de reutilização está muito abaixo do potencial.

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A importância da campanha contra os canudos é maior na conscientização da população do que na diminuição direta da poluição plástica.  Apesar de ser um bom passo, não é o suficiente; paralelamente, devem ser feitos outros trabalhos de conscientização. A forma como a indústria e a sociedade utilizam e manuseiam o plástico deve ser urgentemente repensada.

Referências:

  1. Ellen Macarthur Foundation.The New Plastics Economy: Rethinking the future of plastics & Catalysing action. Acesso em: 22 jan. 2018.
  2. GRAY, Alex. 90% of plastic polluting our oceans comes from just 10 rivers; WE Forum. Acesso em: 22 jan. 2018.
  3. UN Environment. Plastic recycling: an underperforming sector ripe for a remake; ONU. Acesso em: 22 jan. 2018.
  4. UN Environment.The state of plastics; ONU. Acesso em: 22 jan. 2018.

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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, pretendo seguir carreira no jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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