(Créditos da imagem: NASA's Solar Dynamics Observatory/Joy Ng).

O ciclo solar é um ciclo comum, que dura 11 anos. Trata-se simplesmente de um período onde o Sol apresenta determinadas características, que se repetem mais tarde. Embora ocorram mudanças na atividade solar, em nada afeta na temperatura da Terra. Suas implicações, na verdade, são outras. Mas esse não é o apocalipse, fique tranquilo. 

Há mais de mil anos a humanidade monitora as manchas solares. Isso ficou mais detalhado nos últimos 400 anos, com a invenção do telescópio. A frequências das manchas solares é o principal parâmetro que os cientistas utilizam para medir os ciclos do Sol. Isso porque essas manchas causam grandes efeitos na atividade do Sol. Durante o mínimo solar, há pouquíssimas manchas. Durante o máximo, muitas manchas surgem.

Em resumo, uma mancha solar é uma perturbação magnética que ocorre naquele determinado ponto. No entorno do Sol, existe a coroa solar, que é formada por plasma a mais de um milhão de graus Celsius. A coroa solar é mais quente do que a própria superfície solar, embora menos quente do que  o núcleo da nossa estrela.

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Quando uma mancha solar surge, ela causa uma perturbação magnética, como já citado. Como o plasma é constituído principalmente por íons, isto é, partículas eletricamente carregadas, ele é diretamente afetado por essa perturbação. Muitas vezes, o plasma é lançado para o espaço, em direção aos planetas. Isso se chama ejeção de massa coronal.

As manchas solares. (Créditos da imagem: NASA Goddard Space Flight Center).

Há riscos?

Em 1859, a Terra foi atingida por uma grande tempestade solar, queimando redes elétricas e telegráficas. Na ocasião, auroras foram visíveis até nas regiões próximas ao equador. Sim, um brasileiro pode ter visto uma aurora no centro do Rio de Janeiro, por exemplo.

Essas ejeções de massas coronais são bastante comuns, e geralmente não nos representam grande perigo, pois o campo magnético da Terra nos protege. Entretanto, se forem forte de mais, poderiam sim representar algum risco, como houve em 1859. Se nossos satélites, sistemas elétricos e equipamentos eletrônicos queimassem nos dias de hoje, voltaríamos, portanto, à Idade Média. Tudo no planeta depende da tecnologia

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Rastreando o ciclo solar

Portanto, nos é útil monitorar os ciclos do Sol. Dessa forma, em um perigo eminente, poderíamos tomar alguma atitude para, no mínimo, diminuir os prejuízos. Claro que contra o universo pouco podemos fazer. Ainda mais pelo fato de que é extremamente difícil prever uma grande ejeção de massa coronal com muita antecedência. Em outras palavras, estamos a mercê das vontades do universo.

“Conforme emergimos do mínimo solar e nos aproximamos do máximo do Ciclo 25, é importante lembrar que a atividade solar nunca para; ele muda de forma conforme o pêndulo oscila”, explica Lika Guhathakurta, cientista solar da Divisão de Heliofísica da NASA, em um comunicado da agência.

(Créditos da imagem: David Chenette, Joseph B. Gurman, Loren W. Acton).

Um exemplo de necessidade de monitoramento é a próxima viagem para a Lua. Já que o ciclo solar se iniciou em novembro de 2019, embora só confirmado em setembro de 2020, sabemos que em 2025 ocorre o máximo solar. Durante o máximo solar, as manchas surgem a todo vapor. Ou seja, muito material da coroa solar é liberado ao espaço.

Em 2024, muito próximo ao máximo solar, a NASA planeja a Artemis, a próxima missão tripulada para a Lua. No espaço, portanto, os astronautas não possuem a proteção do campo magnético da Terra. Nesse caso, eles precisam ficar apreensivos com relação à massa coronal. No entanto, o espaço é muito grande, e é difícil que essas partículas os acertem. Trata-se apenas de uma questão de segurança com uma grande redundância, como sempre há em viagens aéreas ou espaciais.

“Não há mau tempo, apenas má preparação. O clima espacial é o que é – nosso trabalho é nos prepararmos.”, explica ake Bleacher, cientista-chefe da Diretoria de Exploração Humana e Missão de Operações da NASA.

Trabalho de formiguinha

Todos os dias, o astrônomo Steve Padilla segue um ritual feito há mais de cem anos no Observatório Mount Wilson, na Califórnia, Estados Unidos. O astrônomo sobe até o topo do telescópio, ajusta seus espelhos, e desce para a sua sala. Lá, separa os lápis e papéis, e começa o trabalho de se esboçar as manchas presentes no Sol naquele dia. Às vezes precisamos recorrer a métodos antigos, pois nem sempre um satélite de bilhões de dólares é necessário.

Animação feita com uma série de anotações de manchas solares. (Créditos da imagem: SILSO/Royal Observatory of Belgium).

“Os satélites podem fazer muitas coisas melhor do que um desenho à mão. Mas considere um satélite com uma vida útil de 10 a 15 anos – isso é apenas um ciclo solar. Você não pode compará-lo a qualquer outra coisa fora desse período de vida”, explica Olivier Lemaître, observador solar do Observatório Real da Bélgica.

Mas isso não quer dizer que os cientistas não utilizem tecnologia. A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) pretende lançar em breve a  Space Weather Follow-On L-1 (SWFO-L1), uma sonda especializada em estudar o clima espacial. Seu trabalho não será simplesmente observar a posição das manchas solares, mas sim algumas análises mais detalhadas, que não conseguimos fazer a partir da Terra.

E trata-se realmente, no entanto, de um trabalho de formiguinha. Frédéric Clette, diretor do  Centro de Dados Mundial para o Índice de Manchas Solares e Observações Solares de Longo Prazo , ou SILSO, explica: “O Sol tem seu próprio ritmo que não podemos acelerar. Às vezes, temos dificuldade em controlar a impaciência das pessoas que esperam saber da noite para o dia se o Sol está realmente acordando de novo”.

Com informações de NASA [1], NASA [2] e NOOA.