(Créditos da imagem: Wikimedia Commons).

Antes de pensarmos no cientista Charles Darwin, é importante saber quem ele era, além do pensador da seleção natural. Charles tinha uma personalidade que merece ser conhecida, era um ser humano, acima de tudo. Nasceu em 1809 e seu pai era médico, muito reconhecido, órfão de mãe aos oito anos de idade, tinha um irmão e duas irmãs, elas se mantiveram próximos dele por toda a vida e o mimavam, segundo a opinião de seu pai.

Bobby, como era chamada pelos seus irmãos, era motivo de preocupação de seu pai, era muito gastador e inconsequente, quando foi ao Chile gastou um montante em libras o equivalente a duas vezes o salário de um professor da Universidade de Cambridge. Nesses momentos sempre recorria ao auxílio das irmãs para conseguir amolecer o coração e o bolso do pai.

Iniciou com apenas 16 anos o curso de medicina, seu pai era médico, teria que seguir a família. Durante os estudos, Charles só queria estudar Geologia, rochas era o que mais o encantava. Seu pai vendo que ele não estava dedicando-se o suficiente para ser médico, o chamou e ficou acordado de se tornar pastor da igreja anglicana (protestantes da Inglaterra), nesse novo curso, ele teria mais tempo para estudar as rochas e o solo.

Um dos professores de Darwin não apenas ensinava, no sentido de depositar o que sabia. Aguçava a curiosidade dos alunos, e os instigava a encontrar respostas. Darwin encontrou um terreno fértil para toda a sua vida através desse professor que não oferecia respostas prontas. O professor acreditava que a pergunta acendia uma dúvida no intelecto e o colocava a vagar para saciar a curiosidade estabelecida. Com certeza o seu jeito de ensinar Geologia tornava tudo mais fascinante para Charles Darwin.

Houve uma aula que Darwin se lembrou por toda a vida e o impulsionou em seu trabalho como naturalista. Caminhando em uma montanha para estudar a rocha e o solo, viu a presença de uma concha de um animal marinho e perguntou a seu professor como a concha tinha parado ali, eles estavam muito longe do mar. Como aquilo contrariava o que estava estabelecido o professor deu uma resposta seca: “conchas não caem do céu, alguém deve ter jogado ai”.

Essa afirmação virou um desafio para o jovem, e isso iria ficar muito maior quando chegara em casa e viu que tinha uma carta convite para fazer uma viagem em um navio chamado Beagle, como naturalista. Muito determinado, após as suas observações, muito tempo depois, em 1831, escreveu um artigo sobre a observação de um molusco com concha ter sido visto agarrado na pena de uma ave migratória. Com certeza ele deve ter pensado algo assim: “O professor não vai acreditar nisso!”.

Quer saber mais? “Darwin no telhado das Américas” de Nélio Bizzo é um livro excelente!

Lucas Guimarães
Doutorando em Ensino de Ciências, mestre em Ensino de Ciências, professor de Ciências e Química da Rede Municipal de Ensino de Barra Mansa e Volta Redonda e autor do livro "Lavoisier na Sala de Aula". Atualmente desenvolvo a função de articulador de ciências na rede municipal de Barra Mansa (RJ), além de um trabalho de metodologias ativas aplicadas no laboratório de ciências no Colégio Espaço Verde. Tenho interesse de pesquisa na área de História da Ciência no Ensino