Astronauta Chris Hadfield demostrando o que acontece ao chorar na ISS. (Créditos da imagem: Canadian Space Agency).

Uma misteriosa síndrome está prejudicando a visão dos astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), causando uma miopia intratável que persiste por meses, mesmo depois de terem retornado à Terra.

O problema é tão grave que dois terços dos astronautas relatam ter a visão deteriorada depois de passar determinado tempo em órbita da Terra. Os cientistas dizem que finalmente encontram algumas respostas.

“Ninguém passou dois anos sem exposição a isso, e a preocupação é que teríamos perda de visão”, disse Dorit Donoviel, do Instituto Nacional de Pesquisas Biomédicas do Espaço (NSBRI, na sigla em inglês), ao The Guardian. “Isso é catastrófico para um astronauta”, conclui.

Em 2016, a NASA relatou que algo no espaço mexe com a visão dos astronautas, causando prejuízo a longo prazo para a qualidade da visão.

O astronauta Scott Kelly, cuja excepcional visão foi parte da razão pela qual ele foi selecionado para ser o primeiro astronauta da América a passar um ano inteiro no espaço, disse que foi forçado a usar óculos de leitura desde que voltou para casa.

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A NASA suspeitou que essa péssima condição — chamada de deficiência visual entre síndrome da pressão craniana — foi causada pela falta de gravidade no espaço.

A hipótese era que a microgravidade na ISS estava aumentando a pressão na cabeça dos astronautas, fazendo com que cerca de 2 litros de fluidos vasculares se deslocassem em direção a seus cérebros.

Eles dizem que a pressão foi responsável pelo achatamento dos globos oculares e inflamação dos nervos ópticos, observados em astronautas retornados.

“Na Terra, a gravidade puxa fluidos corporais para baixo em direção aos pés. Isso não acontece no espaço, e pensa-se que o fluido extra no crânio aumenta a pressão sobre o cérebro e a parte de trás do olho”, disse Shayla Love para o Washington Post.

Recentemente, uma equipe da Universidade de Miami realizou o primeiro estudo para  testar essa ideia e descobriu que algo a mais têm causado problemas de visão nos astronautas.

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Os pesquisadores recolheram dados de exames cerebrais de sete astronautas que passaram muitos meses na ISS e os compararam a exames de nove astronautas que acabavam de fazer viagens curtas.

A grande diferença entre eles era que os astronautas de longa duração tinham significativamente mais líquido cefalorraquidiano (CSF, na single em inglês) em seus cérebros do que os astronautas de curta viagem, e os pesquisadores dizem que isso — e não o líquido vascular — é a causa dos problemas de visão.

Os resultados foram apresentados na reunião anual da Sociedade Radiológica da América do Norte, em Chicago (veja o resumo), e ainda têm de ser revisados, então temos que esperar para que os resultados sejam analisados por uma equipe independente para que possamos ter a certeza de que esta é a resposta.

Adaptado de Bec Crew para o ScienceAlert.

Referências:

  1. RSNA. “Role of cerebrospinal fluid in spaceflight-induced visual impairment and ocular changes. Acesso em: 21 mai. 2017.
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 17 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

6 comentários

  1. Muito obrigado por colocarem as fontes, continuem assim e certamente se tornarão referencia para o futuro quando procurarem por noticias legais como essas…

  2. Se o problema é esse eles passam a sofrer de pseudo tumor celebral. Que pode ser contornado com um procedimento cirúgico onde é colocado um dreno para diminir a pressão do líquido cefaloraquidiano. (com uma válvula reguladora de pressão em serie com o dreno)

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