(Créditos da imagem: Neil Palmer/CIAT).

Durante muito tempo acreditou-se que as florestas eram apenas consequência do clima, e não que elas também podem alterá-lo. Na década de 1970, o pesquisador brasileiro Eneas Salati percebeu que a Amazônia é responsável por pelo menos metade de sua chuva. Além disso, ela espalha a sua umidade para uma grande área, como pelo sudeste brasileiro e regiões do Paraguai, da Argentina e do Uruguai por meio de verdadeiros “rios flutuantes”, exercendo importância na agricultura e em outros ramos.

Para se ter ideia de biodiversidade amazônica, segundo a organização de proteção ambiental World Wild Life, uma em cada dez espécies conhecidas no mundo estão na Amazônia.

No dia 21 de fevereiro, dois pesquisadores, o brasileiro Carlos Nobre, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas, e o norte-americano Thomas Lovejoy, professor da George Mason University, publicaram um editorial na Science. No editorial os pesquisadores argumentam que a combinação das secas de 2005, 2010, 2015 e 2016, com inundações em 2009 e 2014 são sinais de que o ciclo hidrológico está bagunçado.

Segundo o Inpe, já foram desmatados cerca de 700.000 quilômetros quadrados da Amazônia, ou cerca de 23 vezes o tamanho da Bélgica. A área desmatada da floresta amazônica deve permanecer menor do que 20 por cento para o ecossistema não colapsar, e um número ainda menor é necessário para ser sustentável.

Um dos maiores problemas que enfrentamos na Amazônia é o desmatamento ilegal, tanto pela queima ilegal como pela extração de madeira.

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O Brasil se comprometeu em 2015, na Conferência das Partes, a recuperar 12 milhões de hectares ou 120.000 quilômetros quadrados da Amazônia até 2030. Os pesquisadores que publicaram o estudo citado recomendam que a recuperação comece focando nas áreas leste e sul da floresta.

Há diversos projetos espalhados pelo globo, tanto de ONGs como de governos, no âmbito das Nações Unidas. Com a seriedade do Brasil, com leis e punições mais severas, bem como maiores fiscalizações na Amazônia para combater o desmatamento ilegal, juntamente com a conscientização dos alunos das escolas públicas e privadas, podemos ainda salvar a maior floresta tropical do mundo e milhões de vidas que dependem dela.

Referências:

  1. NOBRE, Carlos; LOVEJOY, Thomas. “Amazon Tipping Point”; Science. Acesso em: 26 fev. 2018.
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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, pretendo seguir carreira no jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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