Em uma parte de um tronco cerebral humano, uma célula nervosa saudável (vermelha, à esquerda) libera um mensageiro químico. Perto dali, uma célula nervosa (marrom, à direita) cheia de tau, uma proteína ligada ao Alzheimer, está muito danificada para funcionar adequadamente. (Créditos da imagem: L. Grinberg).

O Alzheimer destrói centros de comando no cérebro que mantêm as pessoas acordadas. Esta descoberta pode explicar por que a doença geralmente traz sonolência diurna.

Os problemas com o sono podem preceder demências, incluindo o Alzheimer, às vezes por décadas. Mas o novo resultado, descrito em Alzheimer & Dementia, sugere que o sono desordenado não é apenas um prenúncio precoce do Mal de Alzheimer. Em vez disso, o problema do sono é “parte da doença”, disse Lea Grinberg, neuropatologista da Universidade da Califórnia, em San Francisco.

Grinberg e seus colegas se concentraram no tronco encefálico e uma estrutura situada acima dele, chamada de hipotálamo. Juntas, essas partes do sistema nervoso supervisionam tarefas cruciais, como manter as pessoas acordadas e prestando atenção. Embora importante, o tronco encefálico e seus vizinhos foram negligenciados em estudos de demência, disse Grinberg. Em particular, os pesquisadores procuraram evidências de tau, uma proteína que pode formar emaranhados dentro das células nervosas, em cérebros post-mortem de pessoas que morreram com a doença de Alzheimer.

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Três pequenas regiões do hipotálamo e do tronco cerebral, que geralmente contêm células nervosas que mantêm as pessoas acordadas durante o dia, estavam cheias de tau, descobriu a equipe. E duas das três áreas haviam perdido mais de 70% de suas células nervosas, ou neurônios. Essas áreas “são duramente atingidas e pelo tau”, disse Grinberg. Essa destruição pode ser parte da razão pela qual as pessoas com a doença de Alzheimer muitas vezes se sentem cansadas durante o dia, mesmo que tenham dormido na noite anterior.

Esses resultados acrescentam credibilidade a uma ideia que está circulando entre os cientistas que pesquisam sobre o Alzheimer, mas ainda não ganhou muita força, disse o neurocientista Bryce Mander, da Universidade da Califórnia. “Você vê o tau no tronco cerebral e vê realmente cedo”.

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Os resultados podem fundamentalmente reorientar as pesquisas sobre demência em centros de sono-vigília no tronco cerebral. “Não podemos continuar ignorando o tronco cerebral se pensarmos sobre essas demências e como elas progridem”, disse Mander. Uma compreensão mais clara de como, quando e onde o primeiro ataque de Alzheimer ao cérebro pode levar a melhores formas de identificar a doença precocemente e, em última análise, até mesmo interromper os danos.

Em amostras de pessoas saudáveis ​​e de pessoas com outros dois distúrbios degenerativos do cérebro, esses neurônios indutores da vigília sobreviveram, descobriram os pesquisadores. Essas doenças cerebrais — paralisia supranuclear progressiva e degeneração corticobasal — envolvem o acúmulo de tau. Mas poucos neurônios de pessoas com essas doenças morreram, apesar de estarem repletos de tau, descobriram os pesquisadores. Essa descoberta inesperada “revela um mistério”, disse Mander. “Por que esses neurônios estão morrendo mais na doença de Alzheimer do que em outras doenças?”

O estudo incluiu amostras apenas de pessoas com a doença de Alzheimer em estágio avançado. Grinberg está iniciando um estudo maior sobre o tecido cerebral de pessoas em vários estágios do Mal de Alzheimer, na esperança de detectar exatamente quando os neurônios nesses começam a se deteriorar. [ScienceNews].

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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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