Vala com 50 esqueletos de Vikings sem cabeça em Dorset, no Reino Unido. (Créditos da imagem: Dorset County Council/Oxford Archaeology).

Os Vikings são tipicamente vistos como um grupo singular de guerreiros de cabelos loiros e olhos azuis que invadiram terras estrangeiras, mas um novo estudo revela que os antigos saqueadores  podem ter sido mais heterogêneos do que se pensava anteriormente.

Publicado na revista Nature, o artigo indica que o Império Viking era composto de vários grupos geneticamente distintos que surgiram em diferentes regiões do que hoje é a Escandinávia, alguns dos quais continham genes do sul da Europa e da Ásia.

Durante um período de seis anos, os autores do estudo sequenciaram os genomas de 442 esqueletos da era Viking, datando de 2400 a.C. a 1600 d.C.

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Ao fazer isso, eles lançaram uma nova luz sobre as origens genéticas da população Viking, ao mesmo tempo que revelaram como diferentes facções dentro do mundo Viking se espalharam pelo Norte da Europa.

Destruindo mitos

Uma análise mais detalhada dos dados revelou que populações Vikings distintas visavam diferentes áreas da Europa, com os Vikings noruegueses indo principalmente para a Irlanda, Escócia, Islândia e Groenlândia, enquanto os Vikings suecos viajavam predominantemente para os países bálticos.

Enquanto isso, os Vikings dinamarqueses viajaram para a Inglaterra, e as consequências genéticas desses ataques internacionais ainda são visíveis hoje, com cerca de 6% da população britânica portando genes Viking.

Sobre o assunto de ataques, o estudo também revelou como os Vikings viajavam em unidades familiares para pilhar terras estrangeiras.

Um dos primeiros ataques envolveu um grupo de 41 homens da Suécia, que viajou para Salme, na Estônia, em dois barcos em meados do século 8, apenas para morrer em circunstâncias violentas.

A análise genética revelou que esse grupo incluía quatro irmãos e que vários dos outros homens também eram parentes próximos.

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Ao analisar marcadores genéticos, os autores do estudo também descobriram que os Vikings podem ter sido mais diversos em sua aparência do que a cultura popular e os supremacistas brancos nos querem fazer crer.

De acordo com o autor do estudo, Eske Willerslev, “a pesquisa desmascara até mesmo a imagem moderna dos Vikings com cabelos loiros, já que muitos tinham cabelos castanhos e foram influenciados por influxo genético de fora da Escandinávia”.

Com informações do IFLScience.

Este texto foi originalmente publicado por Realidade Simulada. Leia o original aqui.