Teste nuclear Baker, feito pelos Estados Unidos em 1946 no oceano pacífico, próximo a ilhas da oceania. (Créditos da imagem: Departamento de Defesa dos Estados Unidos).

Muito já se debateu e hipotetizou-se sobre os efeitos de uma guerra nuclear no âmbito terrestre do planeta, e os modelos teóricos atuais apontam para o que chamamos de inverno nuclear. Outros efeitos, como a extinção em massa decorrem a partir dele. Os efeitos nos oceanos, no entanto, foram menos explorados, e é isso que aborda um novo estudo publicado na revista Geophysical Research Letters.

Primeiro vamos adentrar no inverno nuclear. As explosões levantariam no ar grandes quantidades de partículas sólidas, gás carbônico, enxofre, etc, suficientes para bloquear a luz solar da Terra, o que causaria um enorme resfriamento — por isso que o nome do fenômeno é inverno nuclear. Ademais, haveria uma significativa diminuição do oxigênio, e muitas florestas e cidades seriam incendiadas, além da radiação espalhada pelo planeta.

É agora que entram os efeitos nos oceanos. Os efeitos aconteceriam em duas etapas: inicialmente, o pH dos oceanos aumentaria, ou seja, a acidez diminuiria. Após um breve período, com o resfriamento da água, a acidez aumentaria um pouco novamente, já que líquidos frios retêm mais gases – o dióxido de carbono na atmosfera causaria uma alteração química bastante ampla, pois reagiria com a água formando ácido carbônico.

Nessa segunda etapa que o equilíbrio é mais perturbado. A concentração de carbonatos nos oceanos diminuiria consideravelmente. O problema disso é que esses íons são um dos principais ingredientes utilizado por ostras e recifes de corais – lembrando que os recifes de corais são os locais que abrigam a maior biodiversidade marinha. 

É claro que muitas outras perturbações de diversos gêneros ocorreriam, por diversas variáveis diferentes. Essas destacadas, no caso, são as principais, onde os efeitos são mais perceptíveis, pois além de afetar a vida marinha, a cadeia alimentar dos animais terrestres, incluindo os humanos, também seria gravemente impactada.

Para analisar esses efeitos, os cientistas consideraram cenários de conflitos nucleares entre Índia e Paquistão (regionais) e Eua e Rússia (globais). Mesmo os conflitos regionais exerceriam grandes efeitos globais. Vale lembrar que foram pensados cenários plausíveis, e não apocalípticos. 

“Espero que este estudo nos ajude a ter uma perspectiva do fato de que mesmo uma guerra nuclear de pequena escala pode ter ramificações globais”, disse em uma matéria da Universidade do Colorado a autora principal do estudo, Nicole Lovenduski.

Referência:

  1. LOVENDUSKI, Nicole S. et al. “The Potential Impact of Nuclear Conflict on Ocean Acidification”. Acesso em: 12 fev. 2019.