Concepção artística da Dragonfly em Titã. (Créditos da imagem: NASA/Johns Hopkins APL).

Titã é um dos mundos do sistema solar mais promissores para a existência de vida microbiana. A lua de Saturno possui uma atmosfera verdadeiramente substancial, além de moléculas orgânicas, formas naturais de aquecimento, água e atividade geológica. Toda essa complexidade é uma ótima notícia. Dragonfly é uma missão da NASA que pousará em Titã em breve.

No entanto, Dragonfly sofreu um adiamento de 12 meses. A NASA lançaria a sonda em seis anos, no ano de 2026. Mas graças a problemas orçamentários e atrasos decorrentes da pandemia, ela só poderá ser lançada em 2027. Embora seja apenas um ano de atraso no lançamento, como os planetas se movimentam, o atraso da viagem é maior. Se antes ela chegaria em 2034, agora chegará apenas em 2036 na gelada lua de Saturno.

“A NASA tem a maior confiança na equipe da Dragonfly para realizar uma missão bem-sucedida que conduz ciência convincente”, diz em um comunicado Lori Glaze, diretora da Divisão de Ciência Planetária da NASA. “A Dragonfly aumentará significativamente a nossa compreensão deste mundo ricamente orgânico e ajudará a responder às principais questões da astrobiologia em nossa busca para compreender os processos que apoiaram o desenvolvimento da vida na Terra”.

Como funcionará a missão?

Dragonfly significa libélula, no inglês – não, não é dragão voador, até porque isso seria bastante redundante. Pelo nome (libélula), podemos chutar que a sonda voa. Por Titã possuir uma atmosfera bastante densa (4 atmosferas terrestres), um rover seria perda de tempo. Uma sonda voadora por realizar a missão com muito mais agilidade e eficiência do que rovers, que facilmente ficam presos em obstáculos.

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“Com a missão Dragonfly, a NASA fará mais uma vez o que ninguém mais pode fazer”, diz o administrador da NASA, Jim Bridenstine. “Visitar este misterioso oceano global pode revolucionar o que sabemos sobre a vida no universo. Esta missão de ponta teria sido impensável apenas alguns anos atrás, mas agora estamos prontos para o vôo incrível da Dragonfly”.

Após chegar em Titã, a expectativa é que a missão dure apenas 2,7 anos. É um período curto, em comparação às missões de décadas de idade atualmente em operação em Marte. Mas um tempo bem aproveitado. Dragonfly estudará crateras de impactos, lagos e oceanos, dunas. A missão que pousará em Titã será uma busca por processos químicos e biológicos que se parecem com os que ocorrem na Terra.

Titã

Titã é bastante parecida com a Terra primordial, e é, então, de grande utilidade na compreensão do surgimento da vida na Terra. Sua atmosfera é bem densa, mas não densa o suficiente para impossibilitar a existência de vida. A composição atmosférica de Titã, assim como na Terra, é predominantemente por nitrogênio, um gás completamente inerte.

Mas Titã possui algumas diferenças, é claro. Além de um cheiro extremamente desagradável, Titã possui chuvas e lagos formados por metano. Além disso, por ser um local extremamente frio, o metano, que aqui na Terra é um gás, torna-se líquido em Titã. No entanto, abaixo da superfície há bastante água, além de fontes naturais de aquecimento para a retirada de energia por microorganismos.

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“Titã é diferente de qualquer outro lugar no sistema solar e a Dragonfly é diferente de qualquer outra missão”, explica Thomas Zurbuchen.

“É notável pensar neste helicóptero voando quilômetros e quilômetros através das dunas de areia orgânica da maior lua de Saturno, explorando os processos que moldam este ambiente extraordinário. A Dragonfly visitará um mundo repleto de uma grande variedade de compostos orgânicos, que são os blocos de construção da vida e podem nos ensinar sobre a origem da própria vida [na Terra]”, diz Zurbuchen.

Com informações de NASA [1] e NASA [2].