Apesar da semelhança, esta não é uma foto real da Antártida vista do espaço. (Créditos da imagem: NASA/Goddard Space Flight Center Scientific Visualization Studio The Blue Marble data is courtesy of Reto Stockli [NASA/GSFC]).

Há uma imagem que está repercutindo na mídia social que as pessoas afirmam mostrar a Antártida vista do espaço.

Mas não é bem assim, pelo menos não totalmente. Na verdade, a imagem é uma visualização de dados, uma figura gerada por computador que mostra a extensão do gelo marinho ao redor da Antártida em 21 de setembro de 2005.

A imagem é o resultado de dados obtidos por vários satélites que observam a Terra, mas o gelo marinho é do detector AMSR-E a bordo do satélite Aqua. Ele usa micro-ondas para medir a extensão do gelo flutuando no oceano.

De posse desses dados, foi a seguir criado um mapa gerado por um computador da Blue Marble Next Generation, usando diferentes dados da AMSR-E para estimar a cor do gelo, em um globo terrestre. O mapa do terreno é, na verdade, de 2004, um ano antes de os dados do gelo serem obtidos.

Talvez isso seja um ponto sutil. Afinal, muitas imagens do Telescópio Espacial Hubble e de outros observatórios espaciais são compostas usando imagens separadas, às vezes em comprimentos de onda invisíveis aos nossos olhos oriundas de dados de satélites em órbita. Embora este caso seja semelhante, esta não é uma imagem instantânea registrada por alguma câmera em algum satélite espacial; é mais como criar um mapa (como os que exibem temperaturas codificadas por cores) usando várias fontes e, em seguida, reuni-los de maneira que pareça muito realista.

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Talvez isso não seja um grande problema. Não se trata de uma farsa ou uma fraude, ou algo do tipo, mas é uma boa ideia entender a diferença entre uma foto real e uma concepção artística. Sob o pressuposto de que elas são reais, as imagens irreais são comumente transmitidas pelas mídias sociais rapidamente e sem muita análise crítica.

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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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