A brasileira Angela Villela Olinto, física de astropartículas e professora da Universidade de Chicago, tornou-se membro da Academia Americana de Artes e Ciências, título que a coloca ao lado de nomes como Albert Einstein, Martin Luther King, Nelson Mandela, Charles Darwin e muitos outros.

Na mesma semana ela também foi nomeada à Academia Nacional de Ciências, que elegeu 120 membros, sendo 59 mulheres, o maior número já eleito em um único ano.

“É uma imensa honra ser membro de uma destas duas instituições históricas, as academias mais importantes na ciência nos Estados Unidos. Sou privilegiada por ter seguido perguntas inspiradoras sobre o nosso Universo, e ter construído parcerias e colaborações brilhantes no caminho. É uma grande alegria ser reconhecida pelos meus colegas cientistas, especialmente em um ano tão desafiador”, diz Olinto em entrevista à EXAME.   

Academias de ciências

A Academia Americana de Artes e Ciências reúne lideranças e personalidades das ciências, das artes e dos negócios. Fundada em 1780 por um grupo de políticos e intelectuais que incluiu John Adams, o segundo presidente dos Estados Unidos, seus estudos ajudam na pesquisa e análise nos setores da política, ciência, tecnologia, segurança global, assuntos internacionais, política social, educação e ciências humanas.

Já a Academia Nacional de Ciências é uma instituição privada sem fins lucrativos que visa reconhecer as conquistas em ciências por meio de uma eleição do conselho. Ao lado das Academias de Engenharia e de Medicina, a instituição oferece conselhos e pesquisas sobre ciências, engenharia e saúde para o governo federal dos Estados Unidos e outras organizações internacionais.

Sobre Angela Olinto

Doutora em Física pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Olinto é uma das maiores autoridades mundiais da física das astropartículas — partículas que compõem ou interagem com a matéria, como neutrinos e núcleos atômicos.

“Na faculdade me interessei por física de partículas e, no doutorado, pela astrofísica. Do pós-doutorado em diante, me dediquei a construir este novo campo que reúne as duas áreas de meu interesse anterior”, conta.

Segundo Olinto, as fontes de astropartículas incluem “buracos negros supermassivos, galáxias com formação intensa de estrelas, estrelas dissociadas por buracos negros e colisões que produzem ondas gravitacionais”.

Projetos com NASA

A pesquisadora lidera, em parceria com a NASA, o EUSO-SPB, um “Observatório Espacial do Universo em um Balão de Superpressão” que voa a 33 quilômetros de altura e tem o objetivo de detectar raios cósmicos de ultra alta energia. O voo está previsto para 2023.

Outro projeto da brasileira é a missão espacial POEMMA. “O projeto foi desenhado pelo meu time internacional de quase 80 investigadores para uma missão dedicada a estudar as astropartículas mais energéticas, os raios cósmicos e neutrinos ultra energéticos, e descobrir as suas fontes e interações”, conta Olinto. Se aprovado, o POEMMA está previsto para acontecer no final desta década.

Com informações de EXAME, Jornal Opção e Jornal USP.