Ciência não é gasto, é investimento. (Créditos da imagem: Pixabay).

Por muitas vezes o Ciencianautas destaca os diversos problemas de verba que a ciência enfrenta no Brasil, há anos. Todo ano há diversos cortes; em outros países, em contraponto, há, mesmo em períodos de crise, o aumento de verbas para a ciência, até porque a ciência implica em melhorias no crescimento econômico, no longo prazo. Um dos últimos cortes, escondido em novo modelo de concessão da CAPES, ceifou seis mil bolsas, que, com a polêmica, mais tarde foram restituídas. Com essa portaria, até mesmo um pesquisador que trabalhava com o Covid-19, tema extremamente relevante,  perdeu sua bolsa.

É por essas baixas quantidades de bolsas e de investimentos em ciência que muitos cientistas se veem obrigados a bancar a pesquisa com o próprio dinheiro, obtido por outros trabalhos. Dois problemas se destacam a partir disso: 1. o dinheiro muitas vezes não é o suficiente; 2. alguns dos cientistas não podem de dedicar o tempo todo à pesquisa, por precisar de uma atividade remunerada. 

Os cientistas passam boa parte do tempo em busca de financiamento, que na maioria das vezes não dão em nada. Muitos dependem de ajuda financeira de amigos. O geólogo Alexandre Cabral, da UFMG, por exemplo, custeia o que pode; alguns dos outros gastos são bancados por colegas europeus, que, em troca, entram no trabalho como co-autores. 

Hugo Verli, mestre em Química e doutor em Biologia Celular e Molecular, da UFRGS, já bancou até mesmo a manutenção de computadores e ar condicionado em laboratórios da universidade. À BBC ele disse que o investimento próprio é “feito unicamente pela crença de que nosso trabalho é importante e que devemos nos sacrificar por ele, e que esse dispêndio se justificará no final”.

Também à BBC, Fabienne Ferreira, bióloga e microbiologista na UFSC, que também depende de investimento próprio, diz que “Não há interesse em desenvolver ciência no Brasil”. Ela ainda completa, que apesar da falta de investimentos, “a cobrança por publicações científicas continua a mesma. A universidade quer que a gente publique e oriente estudantes, mas praticamente sem nenhuma ajuda financeira”. [BBC]

É triste o estado que a ciência brasileira se encontra e precisamos lutar por ela. A ciência é o futuro de um país. Façamos nossa parte, pressionando os políticos por mais investimentos. #LutemosPelaCiência.