(Créditos da imagem: Microsoft).

Ok, parece estranho, mas a Microsoft deixou um data center com 864 servidores submerso por dois anos na costa de Orkney, um arquipélago ao norte da Escócia. Durante esse tempo, os servidores permaneceram funcionando, constantemente monitorados e testados. Recentemente, eles recuperaram o data center no fundo do mar para avaliar os resultados do experimento. 

E sim, embora seja bastante recente, já surgiram os primeiros resultados. De cara, já destaca-se o fato de que apenas 8 computadores deixaram de funcionar. Portanto, um valor muito menor do que em um data center terrestre.

Isso ocorre porque na superfície há um problema chamado humanos. Não só os humanos, como os outros animais, precisam de oxigênio e umidade. No entanto, para um computador, essas características não são nada boas. Tanto a umidade quanto o oxigênio correm os computadores. O oxigênio faz os componentes eletrônicos oxidarem. 

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Portanto, para um data center no fundo do mar, bastaria criar um contêiner cheio de nitrogênio (que é um gás inerte) e os computadores. Oxigênio e umidade não seriam necessários. Além disso, a água já é capaz de funcionar como um sistema de resfriamento natural. Nesse tempo, os computadores funcionam perfeitamente, com menos falhas do que o comum, e com um gasto energético muito menor, pela maior facilidade de resfriamento. 

“Estamos povoando o globo com dispositivos de ponta, grandes e pequenos. Aprender como tornar data centers confiáveis ​​o suficiente para não precisar do toque humano é um sonho nosso”, diz em um comunicado  William Chappell, o vice-presidente de sistemas de missão da Azure.

(Créditos da imagem: Microsoft).

Qual a utilidade de um data center no fundo do mar?

O primeiro ponto, é claro, o menor número de falhas, pela falta de umidade e oxigênio e pelo menor contato com humanos. Além disso, a economia energética também é um ponto muito considerável, principalmente com a crescente demandas de data centers pelo mundo. O conceito surgiu em 2014, durante um evento chamado ThinkWeek.

Conforme a própria Microsoft, mais da metade da população mundial vive em um raio de menos de 200 km dos litorais. Portanto, data center no fundo do mar, estariam próximos o suficiente de boa parte da população, o suficiente para navegar na internet com alta velocidade, além de um atraso baixíssimo. E matando dois coelhos com uma única cajadada, esses data centers poderiam aproveitar todas as vantagens de estarem submersos.

“Estamos agora no ponto de tentar aproveitar o que fizemos em vez de sentir a necessidade de ir e provar um pouco mais”. disse Ben Cutler, um dos gerentes do projeto. “Fizemos o que precisamos fazer. Natick é um alicerce fundamental para a empresa usar, se for apropriado.

Utilidade para a descentralização

Nos dias atuais, com conexões de internet cada vez mais velozes, os clientes também cobram cada vez mais. Prova disso é a cobrança de gamers, por exemplo, por pings cada vez mais baixos. Entretanto, para que isso seja possível os servidores precisam estar próximos às pessoas. Por esse motivos, as empresas estão passando a valorizar mais os servidores menores, e descentralizados, ao invés de data centers gigantes que atendem vários países.

“À medida que estamos migrando da computação em nuvem genérica para a computação em nuvem e de ponta, vemos cada vez mais a necessidade de ter data centers menores localizados mais perto dos clientes, em vez desses grandes data centers de warehouse no meio do nada”, diz Spencer Fowers.

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“O fato de que eles foram capazes de implantá-lo muito rapidamente e de ter funcionado há tanto tempo e de ter o nível de criptografia nos sinais que chegam combina para revelar uma visão muito atraente do futuro”, diz Chappell. 

A Microsoft também destaca o fato de que isso demonstrou como isso é útil para a possibilidade de se realizar o resfriamento dos computadores sem depender, portanto, da água doce. Enquanto a maior parte da água do mundo é salgada, um dia a água doce poderá fazer falta. Agora a Microsoft está trilhando o caminho de encontrar maneiras de fazer isso para datacenters terrestres”, diz Cluter. 

Com informações da Microsoft.