Em estudo inédito, uma equipe de cientistas demonstrou a existência de uma contração global da estratosfera ligada ao aumento dos gases de efeito estufa (GEE) atmosféricos.

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Se os gases de efeito estufa que emitimos são responsáveis ​​pelo aquecimento da baixa atmosfera (ou seja, a troposfera, veja a figura abaixo), eles inversamente causam o resfriamento das camadas localizadas acima. Simplificando, ao manter a energia próxima ao solo, os GEEs adicionais privam a atmosfera superior de uma fração crescente do calor que nosso planeta irradia.

Em resposta a essas mudanças de temperatura, a troposfera se expande enquanto a estratosfera se contrai. Além disso, a fronteira entre os dois — a tropopausa — está mudando para altitudes cada vez mais altas. Embora o inchaço da baixa atmosfera seja relativamente bem documentado, sua contraparte em altitude mais elevada foi observada, na melhor das hipóteses, em áreas e períodos de tempo limitados. Em um novo estudo, os pesquisadores comprovaram a presença de uma contração estratosférica global e de longo prazo.

A primeira camada da atmosfera é a troposfera (entre 0 e 12 quilômetros acima do nível do mar). Acima, encontramos a estratosfera (entre 12 e 50 quilômetros). Mais acima, a mesosfera (entre 50 e 80 quilômetros) e a termosfera (entre 80 e 600 quilômetros). Os números apresentados são indicativos.
A primeira camada da atmosfera é a troposfera (entre 0 e 12 quilômetros acima do nível do mar). Acima, encontramos a estratosfera (entre 12 e 50 quilômetros). Mais acima, a mesosfera (entre 50 e 80 quilômetros) e a termosfera (entre 80 e 600 quilômetros). Os números apresentados são indicativos.
Reprodução/Wikimedia Commons

Evidência observacional

Usando vários conjuntos de observações de satélite e um conjunto de simulações numéricas, os autores descobriram que, entre 1980 e 2018, a espessura da estratosfera diminuiu em média 400 metros. Evolução que se explica principalmente pelo resfriamento devido ao aumento da concentração atmosférica de gases de efeito estufa. O ozônio desempenha apenas um papel menor, como evidenciado pelos resultados obtidos pela equipe de cientistas. Além disso, em um cenário futuro em que as emissões não diminuam significativamente, uma redução adicional de espessura de cerca de 1,3 km é esperada até 2080.

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“Este estudo é a primeira evidência observacional da contração da estratosfera e mostra que a causa é, na verdade, nossas emissões de gases de efeito estufa, e não o ozônio”, resume Paul Williams, pesquisador da Universidade de Reading, na Inglaterra, que não participou do estudo.

Essas mudanças de espessura e densidade nas camadas superiores da atmosfera não deixam de ter implicações em nossas atividades na superfície. Na verdade, elas têm o potencial de atrapalhar as trajetórias dos satélites nos quais baseamos muitos serviços, a transmissão de ondas de rádio ou mesmo o bom funcionamento do sistema de GPS. Uma lista não exaustiva que justifica a necessidade de se trabalhar na compreensão e quantificação mais detalhada do fenômeno.

O estudo foi publicado na revista Environmental Research Letters.
Publicado originalmente por SoCientíficaLeia o original aqui.