Campus da UFBA. (Créditos da imagem: TV Bahia).

Infelizmente, a velha tradição brasileira de descaso com a ciência e educação continua. Inicialmente, três universidades federais sofreriam o corte: UnB (Universidade de Brasília), UFBA (Universidade Federal da Bahia) e UFF (Universidade Federal Fluminense). O motivo, conforme disse o ministro da educação, Abraham Weintraub ao Estadão, é “balbúrdia” (bagunça, alvoroço).

A decisão, muito criticada, poderia ser questionada judicialmente, por se mostrar uma decisão ideológica e, nesse caso, inconstitucional. Agora, o corte de 30% nas despesas discricionárias — que atingirá o pagamento de bolsas de auxílio aos estudantes, água, luz, etc. —, se estende a todas universidades federais do país. Segundo o MEC, “o critério utilizado para o bloqueio de dotação orçamentária foi operacional, técnico e isonômico para todas as universidades e institutos”.

“As universidades estão há anos trabalhando no limite da capacidade. Não acredito que o MEC fará um corte orçamentário com base em juízo de valor, sem antes pedir esclarecimento às universidades. Infelizmente, o bloqueio está ocorrendo para todas as instituições”, disse ao Estadão o reitor da Universidade Federal do Espírito Santo e presidente da Andifes, Reinaldo Centoducatte. À Folha de São Paulo ele também afirmou que “aquilo que era um equívoco para três universidades, tornou-se um equívoco maior, agora envolvendo todas as universidades, será um caos se 30% do orçamento for retirado”.

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No primeiro anúncio do corte, que atingiria apenas as três universidades citadas, o ministro falou em queda no desempenho para validar sua decisão. No entanto, tal argumento não possui consistência. Em 2017, entre os países latinos, no ranking Times Higher Education, a UnB estava em 19° posição, a UFF em 45° e a UFBA não estava no ranking. Em 2018, no mesmo ranking, a UnB foi para a 16°, a UFF se manteve na 45° e a UFBA estava em 30° posição.

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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pelo jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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