Fragmento do Mecanismo de Antikythera (Créditos da imagem: Wikimedia Commons).

São muitos os feitos científicos no mundo antigo que nos impressionam. Alinhamentos de construções com astros para fins astronômicos são alguns dos mais famosos, e fazem conspiracionistas elaborarem fracas hipóteses de visitas alienígenas. Séculos e milênios de observação, no entanto, foram necessários para que esses ciclos padronizados fossem identificados. e aplicados.

Muitas civilizações, desde o oriente até nas atuais Europa e Américas, sabiam prever movimentos de planetas, eclipses etc. Um dos principais motivos para essas previsões era a precisão de calendários. Um dos melhores povos em fazer isso eram os Maias. No entanto, algo que impressiona até hoje pela engenhosidade é a Máquina de Antikythera, ou Anticítera, o computador analógico mais antigo que se conhece. Datada do século II a.C, não se sabe exatamente quem a construiu, mas sabe-se, pelos nomes dos meses inscritos na máquina, que provavelmente veio da região de Corinto, ao noroeste da Grécia.

O mecanismo foi descoberto em 1901, em um naufrágio romano, próximo à ilha que dá lhe dá o nome, Antikythera. Formada por engrenagens fabricadas em bronze, sua sofisticação antecipava cerca de mil anos de evolução tecnológica. Ela se tratava basicamente de uma calculadora, e podia prever o movimento do Sol, da Lua e de todos os planetas conhecidos pelos gregos antigos: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.

Fragmentos do mecanismo de Antikythera (Créditos da imagem: Wikimedia Commons).

Desde a descoberta, pouco se falava do computador, a não ser por alguns conspiracionistas alegando ser um artefato alienígena e algumas análises científicas. Inicialmente, houve uma certa resistência a acreditar-se de que era um relógio astronômico; ao longo das décadas seguintes também surgiram hipóteses de que se tratava de um equipamento para previsão de eclipses, estabelecer datas religiosas, e até mesmo marcar as datas das Olimpíadas. Não eram hipóteses erradas, mas o aparelho ia muito além.

Derek John, na década de 1950, foi o primeiro a analisar as peças com detalhes. Na década de 1970, O físico Solla Price tinha percebido padrões numéricos, como o ciclo Metônico, que são os 19 anos solares que correspondem aos 235 meses lunares. Havia também outros números, como o 223, que corresponde ao ciclo de 223 luas, que pode ser utilizado na previsão de eclipses.

Anos mais tarde, Michael T. Wright propôs, por meio de análises de raios-x, que a máquina podia simular o movimento da lua, do Sol e de todos os planetas conhecidos pelos gregos. Em 2006, finalmente um tomografia computadorizada e uma análise mais afundo foi realizada, prosseguida por outro estudo, de 2008, pela mesma equipe, ambos publicados na Nature, e eles deram o veredito final: é essa, de fato, a função de todas essas 37 engrenagens.

Já desmantelada pela ação do tempo, hoje se encontra no Museu Arqueológico Nacional de Atenas, na Grécia. Fragmentos de madeira indicam que ela fora construída dentro de uma caixa de madeira. Era como uma espécie de relógio. A movimentação era feita manualmente através de uma manivela, e mostradores externos, assim como os ponteiros de um relógio, simulavam os planetas.

“É um pouco assustador saber que, pouco antes da queda de sua grande civilização, os gregos antigos haviam chegado tão perto da nossa era, não apenas em seus pensamentos, mas também em sua tecnologia científica”, disse Derek de Solla Price em 1959, em uma edição da revista Scientific American.

Referências:

  1. BBC. “Mecanismo de Antikythera: o objeto mais misterioso da história da tecnologia”. Acesso em: 12 mai. 2020.
  2. El País. “O mecanismo de Anticítera, o misterioso tesouro da Grécia antiga”. Acesso em: 12 mai. 2020.
  3. FREETH, Tony et al. “Calendars with Olympiad and Eclipse Prediction on the Antikythera Mechanism”; Nature. Acesso em: 12 mai. 2020.
  4. FREETH, Tony et al. “Decoding the ancient Greek astronomical calculator known as the Antikythera Mechanism”. Acesso em: 12 mai. 2020.
  5. Smithsonianmag Magazine.. “Decoding the Antikythera Mechanism, the First Computer”; Acesso em: 12 mai. 2020.